Flip está repensando homenagem a Elizabeth Bishop após críticas

A escritora americana Elizabeth Bishop em sua casa em Petrópolis, no ano de 1956

RIO - Elizabeth Bishop não está garantida como autora homenageada da 18ª Festa Literária Internacional de Paraty, que ocorrerá entre os dias 29 de julho e 2 de agosto de 2020. Após a polêmica provocada pela escolha da escritora americana (1911-1979), no final de novembro, a organização do evento pode rever a homenagem. Em entrevista ao GLOBO, o diretor geral da Flip, Mauro Munhoz, disse, em entrevista ao GLOBO, que ainda há tempo para "acompanhar e avaliar com calma o bom debate em torno da homenagem da Flip".

- Estamos atentos às manifestações para avaliar se haverá condições para que a grandeza da obra de Bishop e a complexidade de sua personalidade sejam discutidas como qualquer um de seus autores ou autoras homenageadas merecem e têm merecido até agora - diz.

Na última terça-feira, a organização do evento já havia publicado uma nota em seu site dafirmando que a "campanha lançada contra a poeta nas redes sociais" chamou "a nossa atenção e escuta". "Estamos ouvindo as manifestações de todos e pensando em seu significado com a serenidade que essa questão merece", dizia a nota.

Antecipada pelo colunista do GLOBO Ancelmo Gois em outubro e anunciada oficialmente pelo evento no dia 25 de novembro, a escolha causou surpresa, e não apenas por se tratar de uma estrangeira (o que acontece primeira vez na história da Flip). Logo após o anúncio, escritores lembraram que a poeta apoiou o golpe militar de 1964 e fez comentários negativos e preconceituosos sobre o Brasil como motivos de incômodo pela decisão da curadoria. (Relembre todos os escritores homenageados desde 2003)

Procurada na época, a curadora da Flip, Fernanda Diamant, defendeu a escolha e pediu que o público leia a autora antes de condenar a decisão. 'Manuel Bandeira e Guimarães Rosa apoiaram o golpe, também eles não poderiam ser homenageados?', questionou.