'Tenho o benefício da dúvida', diz Flordelis sobre assassinato do marido

Deputada irá depor nesta segunda-feira na Polícia Civil e afirmou que dará uma coletiva na tarde de terça. (Foto: Reprodução/Instagram)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Deputada, pelas redes sociais, se defendeu das acusações de envolvimento na morte do marido

  • Flordelis irá depor nesta segunda-feira e afirmou que dará uma coletiva à imprensa na terça

A deputada federal Flordelis (PSD-RJ) defendeu-se nas redes sociais, na noite deste sábado (22), das acusações de que estaria envolvida no assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, 42.

Ela afirmou que tem o "benefício da dúvida" mesmo após ter apresentado uma versão inicial rejeitada pela polícia. Inicialmente, a deputada sustentou que o crime se tratava de um assalto.

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"Outros comentários me condenam pela primeira versão minha de assalto. Quem faz isso, como reagiria ao ouvir tiros em casa, que mataram o marido, numa madrugada de uma cidade violenta?", questionou.

O assassinato aconteceu no domingo (16), por volta de 4h, após o casal chegar de uma confraternização. Ao entrarem em casa, no bairro de Pendotiba, Anderson retornou à garagem para pegar algo no carro e disparos foram ouvidos. Dois filhos do casal estão presos temporariamente sob suspeita do crime.

Flordelis contou em entrevista após o assassinato que percebeu que o veículo dirigido por Anderson estava sendo perseguido por duas motos, em Niterói. A deputada disse, ainda, que o pastor evitou que criminosos invadissem a casa da família.

A delegada Bárbara Lomba, da Divisão de Homicídios de Niterói, afirmou, em entrevista à TV Globo, que não descarta a participação de qualquer familiar do pastor em seu assassinato, o que incluiria Flordelis.

Ela descartou a suposta perseguição narrada pela deputada, assim como um suposto latrocínio. Lomba afirmou que as investigações continuam para apurar todo o contexto do crime e que "várias pessoas" ainda devem ser ouvidas.

O celular de Flávio Rodrigues, 38, que está preso após ter confessado ter disparado seis tiros contra o pai, continua desaparecido, assim como o aparelho da vítima. Outro filho, Lucas dos Santos, de 18, permanece preso apontado como responsável por comprar a pistola 9mm usada.

Nas redes sociais, Flordelis negou a acusação de que estaria escondendo os celulares e disse que ficará aliviada caso os aparelhos sejam encontrados. Ela também afirmou que as confissões dos dois filhos não são suficientes para condená-los. "Eu não quero acreditar [na autoria dos filhos] e o meu coração de mãe me dá direito à esperança", escreveu.

DEPOIMENTO NESTA SEGUNDA

A parlamentar foi convocada a depor nesta segunda-feira (24) na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo. “Na segunda-feira, serei ouvida pela polícia. O primeiro depoimento, como manda a lei. Já fiz isso várias vezes. A primeira, poucas horas após o crime. Sem direito ao luto”, explicou no texto postado no Instagram.

A deputada federal disse também que, no dia seguinte ao depoimento, vai conversar com os jornalistas. “Na terça-feira (25), à tarde, falarei com a imprensa. Um calvário necessário, para ver se consigo aplacar as insinuações, as dúvidas que criam versões desencontradas. Quem sabe, conseguirei? Peço as orações, mesmo daqueles que, sem conhecer a história, me condenam e condenam meus filhos”.

R$ 10 MIL

Um terceiro filho de Flordelis ouvido pela Polícia Civil, mas que não teve o nome divulgado, aponta para a possibilidade de que o crime tenha sido cometido em família e disse que Lucas recebeu uma proposta de uma das irmãs para matar Anderson por R$ 10 mil.

O jovem ouvido revelou aos policiais ainda que ele não ouviu discussão, barulho de carro ou moto em fuga no dia do crime. Após os tiros, ele diz que encontrou o irmão Flávio ao lado de Anderson, que já estava caído. Segundo ele, após o crime, a namorada de Flávio entregou o celular de Anderson para a deputada Flordelis.

REMÉDIOS NA COMIDA

O mesmo rapaz aponta Flordelis, três irmãs, Lucas e Flávio como suspeitos de envolvimento no crime. De acordo com ele, a deputada disse a um de seus irmãos que “a hora de Anderson estava chegando” e que três filhas do casal e a própria deputada estariam colocando remédios na comida de Anderson, e que isso teria feito a saúde do pastor ficar comprometida.

Por fim, chamou de “teatro” o comportamento de Flordelis e dos suspeitos durante o velório de Anderson.

EDREDOM COM SANGUE

Na última terça-feira, pouco antes da vistoria de homens da perícia, objetos foram queimados no quintal da casa. A polícia recuperou o que havia sido incinerado para perícia, mas o que chamou atenção dos investigadores foi a presença de um edredom com manchas de sangue num dos quartos.

Investigadores da DH (Divisão de Homicídios) encontraram uma pistola 9mm no quarto de Flávio dos Santos Rodrigues, de 38 anos, filho biológico de Flordelis. Uma primeira perícia feita constatou que pistola foi usada na noite do crime.

No quarto de Flávio, os policiais encontraram uma pistola 9 milímetros, usada no dia do crime. À polícia, Flávio confessou que deu 6 tiros no pastor. No dia do homicídio, a polícia recolheu nove munições que estavam no local. Elas foram comparadas com as munições da arma apreendida no quarto de Flávio.

O principal motivo apontado pela polícia para o crime é que os dois descobriram uma relação extraconjugal de Anderson.

A EXECUÇÃO

Anderson foi executado com mais de 30 tiros de pistola nas costas, no peito, na genitália e nas pernas. A maioria dos disparos foi feito à queima-roupa, mas a polícia técnica, não pode precisar o número exato de disparos. O pastor chegou a ser levado ao Hospital Niterói D’Or, no bairro de Santa Rosa, mas não resistiu aos ferimentos.

O corpo do pastor Anderson do Carmo de Souza foi enterrado no Memorial Parque Nicteroy, no bairro do Laranjal, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio.

da Folhapress