Flordelis chora e deixa julgamento durante depoimento de Siro Darlan: ‘Me perdoa, sou inocente. Estou muito envergonhada’

O desembargador Siro Darlan, que entre 1990 e 2005 foi juiz da Vara da Infância e Adolescência do Rio, presta depoimento, nesta quinta-feira, no júri que analisa a morte do pastor Anderson do Carmo. Emocionada, a ex-deputada Flordelis dos Santos se emocionou, enquanto o desembargador relembrava a sua atuação na década de 1990. Ao se levantar para sair da sala, Flordelis saiu chorando e pedindo desculpas a Siro Darlan.

— Me perdoa, doutor Siro, obrigada por tudo que você fez por mim. Sou inocente. Estou muito envergonhada — falou, enquanto era retirada do plenário pela sua defesa para se acalmar.

Como titular da 1ª Vara da Infância e Adolescência no Rio, Sirio Darlan conta que, na época em que assumiu, foi procurado por empresários que queriam ajudar Flordelis. A ex-deputada morava na favela do Jacarezinho, Zona Norte do Rio, com cerca de 25 crianças. Ele afirma que, enquanto atuou na Vara da Infância, aquelas crianças tinham uma família.

— Até 2004, a família estava tratando as crianças com dignidade e respeito. Mas nunca deixei de fazer parte da história deles porque os empresários sempre me comunicavam o progresso da família, que havia se transferido para uma casa maior e melhor — contou Darlan.

Enquanto juiz da Vara da Infância e Juventude, Siro foi o responsável por regularizar a situação das crianças que viviam com Flordelis no meio dos anos 90, quando a ex-deputada era alvo de ações da Justiça. Darlan explicou que uma das exigências feitas na época era de a pastora explicar a origem das crianças, mas que nunca foi feito.

— Tínhamos notícias dadas por ela e Anderson, mas nunca constatamos a veracidade. Nunca foram reclamadas pelas famílias biológicas, então estavam abandonadas. Melhor acolher nessa família do que abandonadas na rua — conta o desembargador.

Siro Darlan ainda revelou que após sair da Vara da Infância continuou com um contato social com a família. Ele definiu o crime como um "desastre" qualquer seja as circunstâncias. O desembargador ainda contou que seu último contato com Anderson do Carmo foi três dias antes da morte do pastor.

— Ele me ligou dizendo que queria uma audiência comigo e com a Flor para discutirmos um projeto de lei sobre a proteção de crianças e adolescentes. Mas como estava viajando, falei para marcamos um mês depois. A Flordelis era a protagonista, mas era ele que comandava tudo. No tratamento que tive com eles, sempre os achei unidos — disse.