Flordelis depõe por cerca de quatro horas sobre a morte do marido

Carolina Heringer

RIO - A deputada federal Flordelis dos Santos (PSD) prestou depoimento nesta quinta-feira, na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, sobre a morte do marido, o pastor Anderson do Carmo. A parlamentar foi ouvida por cerca de quatro horas e estava acompanhada de dois advogados. A participação de Flordelis no assassinato do marido é investigada pela DH. A deputada foi acusada de envolvimento no crime por alguns de seus filhos.

Essa foi a terceira vez que Flordelis prestou depoimento sobre a morte do pastor Anderson do Carmo, mas a primeira desde que o delegado Allan Duarte Lacerda assumiu o caso, em janeiro deste ano. A parlamentar foi intimada novamente para o delegado esclarecer alguns pontos da investigação, além de questioná-la sobre fatos novos que surgiram. Lacerda assumiu a titularidade da DH com a saída da delegada Bárbara Lomba. Flordelis tinha sido ouvida na delegacia no começo das investigações, em junho do ano passado. A primeira vez foi nos dias 16, data do crime, e 24.

A primeira fase das investigações foi concluída pela DH em agosto do ano passado, dois meses após o assassinato. Dois filhos de Flordelis - Flávio dos Santos Rodrigues e Lucas Cézar dos Santos - foram indiciados pelo crime. Flávio, filho biológico apenas da parlamentar, é acusado de ter atirado no padrasto. Já Lucas, filho adotivo da deputada e do pastor Anderson, é acusado de ter ajudado o irmão a comprar a arma do crime. Ambos estão presos e já respondem pelo crime na Justiça. No processo, Flordelis também já prestou depoimento.

Após a conclusão da primeira fase das investigações, a DH abriu um novo inquérito para apurar a participação de outras pessoas no crime, incluindo Flordelis, além de outras pessoas da família.

Filho tem pedido de liberdade negado

Nesta quinta-feira, a 8ª Câmara Criminal do Rio negou um pedido de liberdade para Flávio dos Santos Rodrigues. No início deste mês, a desembargadora Suely Lopes Magalhães, relatora do caso, já havia indeferido liminarmente o pedido da defesa.Na solicitação, os advogados do filho de Flordelis alegaram que não há “pressupostos ensejadores da prisão preventiva” de Flávio.

Além disso, a defesa alegou demora na realização do interrogatório do cliente no processo. O atraso no depoimento, no entanto, ocorreu por causa da demora para que Flordelis fosse ouvida como testemunha de defesa do filho. O depoimento da parlamentar no processo demorou três meses para ser realizado porque Flordelis usou de sua prerrogativa como deputada para ser ouvida em Brasília.

Em sua decisão negando liberdade para Flavio, a desembargadora afirmou que o deferimento de uma liminar de habeas corpus, conforme pleiteado pela defesa, possui natureza excepcional, “somente admitida nos casos em que demonstrada de forma manifesta a necessidade e a urgência da medida, bem como o abuso de poder ou a ilegalidade do ato impugnado”. Ela também afirmou que o processo está correndo normalmente, sem atrasos.