Fluminense: com ida de Kayky ao City, Xerém já soma R$ 350 milhões em vendas em 10 anos

Marcello Neves
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O Fluminense e o Manchester City confirmaram ontem o acerto para a saída do cobiçado Kayky. Joia de Xerém e disputado por gigantes europeus, o atacante de 17 anos deixará o clube em janeiro de 2022 pelo valor de 10 milhões de euros fixos (cerca de R$ 66,5 milhões). Levantamento do GLOBO mostra que o jovem será o atleta criado nas categorias de base que vai gerar o maior lucro na história tricolor. Ao todo, desde 2011, foram R$ 356,4 milhões somados com vendas das principais promessas formadas no clube.

Além do valor fixo equivalente aos 80% dos direitos econômicos que pertenciam ao Fluminense, ficou acertado mais bônus de até 11 milhões de euros (R$ 73,2 milhões) — sendo 7 milhões de euros atingíveis a curto prazo e 4 milhões de euros a longo prazo.

Também há uma cláusula de opção de compra dos 20% de direitos econômicos restantes por mais 5 milhões de euros. Caso todas as metas sejam atingidas, o Fluminense pode receber até 26 milhões de euros (R$ 173 milhões).

“Temos o prazer de confirmar que chegamos a um acordo com a Fluminense sobre a futura transferência de Kayky. O jovem atacante segue no Fluminense até o final da temporada brasileira”, escreveu o clube inglês, em comunicado.

Vale lembrar que o Grupo City também tem avançado na contratação do volante Metinho, mas a tendência é que o jovem jogador não fique em Manchester.

O Fluminense permanece com 20% dos direitos de Kayky e verá o atacante em Laranjeiras até o fim da temporada para jogar a Libertadores e o Brasileiro. Na última quinta-feira, o atacante se tornou o mais jovem da história do clube a atuar no torneio continental, no empate em 1 a 1 contra o River Plate, no Maracanã.

“Kayky da Silva Chagas chegou ao Flu no final de 2012 para jogar no Sub-9 (futsal). Entre os 10 e 13 anos, fez a transição para o futebol de campo — atuando por ambas as categorias”, lembrou o Fluminense em nota oficial.

Kayky ajuda a engordar uma lista importante para a saúde financeira do Fluminense: a de lucro conquistado com atletas formados na base. O jovem superou em número até mesmo a venda de João Pedro, negociado com o Watford, da Inglaterra, que até então era a mais relevante — e complexa — dos últimos anos.

João Pedro foi negociado pelo Fluminense em setembro de 2018, ainda durante a gestão do ex-presidente Pedro Abad. Como o jogador era menor de idade (tinha 17 anos à época), foram firmadas diversas promessas de compra. De modo geral, foi negociado uma parte fixa de 2,5 milhões de euros de entrada mais bônus por metas que poderiam fazer a venda chegar a 10 milhões de euros.

Quando Mário Bittencourt assumiu a presidência, criticou o modelo adotado pela gestão anterior e renegociou os termos da contratação com o Watford. O que se mostrou uma estratégia acertada.

Os bônus foram transformados em um total fixo e os prazos de pagamento foram alterados. Os limites para o Watford efetuar os pagamentos, antes de curto prazo, se estenderam até 2023. Em contrapartida, o valor a ser recebido pelo Fluminense aumentou para 11,5 milhões de euros.

Como o Watford foi rebaixado no Campeonato Inglês e João Pedro não bateu todas as metas, o valor chegaria ao máximo de 8 milhões de euros se o modelo antigo seguisse presente.

Livro sobre Xerém

Aproveitando o sucesso da categoria de base, o Fluminense lançará o livro “Xerém — Guerreiros nascem aqui”, que será a 19ª obra produzida pelo Flu-Memória e apresenta a história da sede das categorias de base do tricolor. A previsão de lançamento é para o segundo semestre do ano.

Assinada por Dhaniel Cohen e Carlos Santoro, a obra retrata o desenvolvimento do CT Vale das Laranjeiras, desde o seu início, na década de 1980. O clube é o primeiro no mundo a abordar suas divisões de base em livro oficial.

O material destaca a importância da marca, registra momentos históricos e elenca as principais crias de Xerém. Kayky voltará a campo amanhã, quando o Fluminense enfrenta o Madureira, às 11h05, no Maracanã, pela Taça Guanabara.