Fogo cruzado entre Marrocos e Polisário complica situação no Saara Ocidental

Sophie PONS, con la oficina de Argel
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Foto divulgada em 13 de novembro de 2020 na página do Facebook do exército marroquino que mostra membros da Frente Polisário abandonando seu acampamento em Guerguerat, no Saara Ocidental
Foto divulgada em 13 de novembro de 2020 na página do Facebook do exército marroquino que mostra membros da Frente Polisário abandonando seu acampamento em Guerguerat, no Saara Ocidental

A situação no Saara Ocidental continuava confusa nesta segunda-feira (16), com tiroteios - segundo a agência marroquina MAP e a Frente Polisário - na linha de defesa que divide este disputado território, após o anúncio na última sexta, por parte dos separatistas saharauis, de ruptura de um cessar-fogo estabelecido em 1991.

A Frente Polisário decretou "estado de guerra" e o fim do cessar-fogo assinado sob os auspícios da ONU, em reação a uma operação do Exército marroquino em uma zona tampão no extremo sul do Saara Ocidental.

O objetivo desta operação militar era reabrir a estrada que leva à vizinha Mauritânia, através do posto de fronteira de Guerguerat.

Nesta segunda-feira, Mohamed Salem Uld Salek, chefe da diplomacia da República Árabe Saharaui Democrática (RASD), autoproclamada em 1976 pelos ativistas pró-independência da Polisário, disse à AFP que "o fim da guerra depende do fim da ocupação ilegal" por Marrocos "dos territórios ocupados da RASD".

Por enquanto, é impossível saber de uma fonte independente o que realmente se passa no terreno, dadas as dificuldades de acesso a este imenso território desértico que Marrocos e Polisário, apoiada pela Argélia, disputam há décadas.

O Saara Ocidental, uma grande área desértica de 266.000 km2 que faz fronteira com a costa atlântica ao norte da Mauritânia, é o único território do continente africano cujo status pós-colonial não foi resolvido.

Após a saída da potência colonial espanhola em 1975, o Marrocos se apoderou de dois terços deste território que considera parte integrante do reino. A Polisário controla o outro terço.

Rabat propõe autonomia sob sua soberania, enquanto a Frente Polisário exige um referendo de autodeterminação previsto no acordo de 1991, mas que nunca foi realizado.

Para a Polisário, a operação militar marroquina em Guerguerat pôs fim ao cessar-fogo de 1991. Os marroquinos, por sua vez, dizem que o respeitam.

A situação pós-colonial não resolvida neste território preocupa a ONU, a União Europeia (UE) e a União Africana (UA).

Desde sexta-feira, os independentistas saharauis sinalizam "ataques" - sem dar mais detalhes - ao longo da linha de defesa marroquina de 2.700 quilômetros que separa o Saara Ocidental, sem qualquer reação oficial de Rabat.

Do lado marroquino, a última declaração do Estado-Maior data de sexta-feira, quando se anunciou que "está garantida a segurança na passagem de Guerguerat".

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