Fogos, música e alívio na vitória de Lula na Avenida Paulista

Fogos de artifício, música e muitos gritos de felicidade e alívio são os sons da avenida Paulista, em São Paulo, na noite deste domingo, na comemoração da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à presidência da Republica. A cada minuto, mais gente chega à Paulista. Quando Lula começou seu primeiro discurso como presidente eleito, milhares de pessoas já faziam a festa na avenida à espera do presidente eleito. Por volta das 22h45 Lula subiu no trio instalado em frente ao Masp.

Antes mesmo do resultado oficial, quando Lula passou à frente na apuração, os apoiadores do ex-presidente, que ocuparam inicialmente a área próxima ao museu, estavam em clima de carnaval, aos gritos de "Nordeste! Nordeste!"em referência aos estados da região, onde o presidente eleito abriu vantagem de mais de 12 milhões de votos. Outra explosão se deu quando ele foi confirmado matematicamente sucessor de Bolsonaro.

— Que a pessoa que ocupou o governo nos últimos quatro anos nunca mais se atreva a por as mãos nesse país — dizia o paulista Milton Espina, 60 anos, muito emocionado.

Durante a apuração, eleitores repetiam em coro jingles celebrizados durante a campanha do petista em 2022, especialmente o refrão: “tá na hora do Jair já ir embora”. Muitos também clamavam por um “feriado nacional”, não só pela vitória de seu candidato, mas em “comemoração ao estado democrático”. E som o refrão: “o mito está desesperado”, a Paulista teve de dança de festa junina a fantasia de homem-aranha petista dançando sem parar.

Na rua, famílias, crianças e animais de estimação ocuparam o centro nervoso da maior cidade da América do Sul trajados de vermelho, mas também de verde, amarelo e com muitos adesivos de todas as cores — entre elas as do arco-íris, em uma referência à diversidade —estampados com o rosto do ex-presidente.

— A gente veio pelo momento histórico. Este vai ser um dia pra nossa filha jamais esquecer. Hoje foi um alívio pois a gente encerra um capítulo muito triste pro país. Temos esperança que conseguiremos melhorar a situação do país — afirma o designer Pedro Benites, que estava acompanhado da filha Martina, de 7 anos, e da mulher, Lívia Dallagnol, também designer.

Nem o ex-casal Neymar e Bruna Marquezine escaparam dos gritos daqueles que comemoravam a vitória de Lula. Em determinado momento, as pessoas gritavam: “Neymar, a Marquezine é mais famosa que você”, em referência ao apoio do jogador de futebol a Bolsonaro, enquanto a atriz declarou seu voto em Lula.

A Justiça decidiu que a Paulista seria ocupada pelo vencedor da eleição presidencial e não houve registro de brigas entre grupos antagônicos: só os petistas, desde cedo, levaram de casa a esperança da vitória desde o começo da tarde. A multidão vestia camisas vermelhas, com o rosto de Lula estampado nelas, mas também nas cores verde e amarelo, em antecipação ao discurso do presidente eleito, que disse que governará a partir de janeiro "todos os brasileiros".

Já no sábado, na maior manifestação da campanha de Lula e do ex-prefeito Fernando Haddad, candidato derrotado a governador de São Paulo, na mesma Paulista, a euforia aumentava conforme o público ia ocupando mais quadras da avenida. Embora tenha ficado atrás do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no estado, Lula venceu na capital,

— É claro que só poderemos comemorar quando o resultado sair, mas somos muitos. Estamos mais otimistas do que em estado de pânico. Vai dar certo! — contaram os estudantes de enfermagem da Faculdade Santa Marcelina Gabriel Borges, de 28 anos, e Rebeca Antonacci, 21.

Os dois militaram com afinco e ganharam o epíteto de "terror das freiras" pela quantidade de santinhos que distribuíram na faculdade durante a campanha. Stephanie Figueiredo, 31, e o marido Luiz Cauduro, 33, estavam na função do vira-voto até o último segundo das eleições. Cauduro, que votou na Baixada Santista, desceria a Serra no fim do ato na Paulista.

— Sabemos que pro Haddad, justamente por causa do voto conservador no interior, vai ser mais difícil. Mas acreditamos no Lula pra esse pesadelo de quatro anos acabar — disse.

Os amigos Junior Kloster, 25, Douglas Moro, 23 ("mas não sou parente do ex-ministro!", enfatizou), Matheus Rodrigues, 24, e Nikael Tonin, 23, também estavam confiantes.

— Vamos acompanhar a apuração e celebrar num bar. A única hipótese pro caso de derrota (seria) ir embora do país — contaram. No domingo, celebraram a vitória e o desejo de seguir no Brasil por mais quatro anos.