'Foi caso pensado. Ele disse: eu atropelei e matei, sim', diz família de advogada morta em Campo Grande

·3 minuto de leitura

Calma e estudiosa foram os primeiros adjetivos escolhidos por Zelandia Oliveira para descrever a neta Larissa Duarte de Lima, de 23 anos. A advogada recém formada foi morta nesta terça-feira após ter sido jogada da motocicleta após a colisão com o carro dirigido por um homem, identificado como Antônio Gabriel, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. O motivo foi a briga do motorista com o namorado de Larissa, que, enquanto dirigia a motocicleta, arranhou o retrovisor do veículo. A Delegacia de Homicídios da Polícia Civil investiga se a colisão foi acidental.

A família da jovem esteve no Instituto Médico-Legal (IML), no Centro do Rio, durante toda a manhã desta quarta-feira para a identificação do corpo. Wallace Oliveira, primo de Larissa, diz que o motorista avançou em direção à moto de propósito.

O caso aconteceu na terça-feira na Rua Aricuri, na altura do número 1.625, em Campo Grande. Os bombeiros foram acionados às 11h37. Testemunhas afirmam que a motocicleta em que estava a jovem e o namorado foi atingida pelo carro após o casal ter arranhado acidentalmente o retrovisor do veículo, logo após o início de uma discussão. A advogada morreu no local e o companheiro teve apenas ferimentos leves.

— Foi um caso pensado porque ele disse: “Eu atropelei e matei, sim” — afirma Wallace.

Antonio Gabriel foi preso após a colisão, impedido por testemunhas de deixar o local. O motorista foi levado logo em seguida para a 35º DP (Campo Grande) e posteriormente transferido para a Delegacia de Homicídios da capital, na Barra da Tijuca.

— Será que essa lei não vai colocar esse bandido na rua daqui a pouco? Nós não temos lei nesse país. Ninguém cumpre nada — disse Zelandia Oliveira, tia-avó da jovem, visivelmente abalada.

Planos interrompidos

Com sonhos de ser delegada da Polícia Civil, Larissa estava se planejando e estudando para alcançar o posto. Era formada há dois anos em Direito e tinha sido aprovada no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Próxima da família e de amigos, familiares se dizem abalados pela morte.

— Simplesmente acabou com a vida dela. Era uma garota que só vivia em estudo e em casa. Não gostava de farra, não gostava de sair. Vai ser um buraco que nunca mais vai ser preenchido — diz Wallace Oliveira.

Apegada ao pai, ao irmão e à mãe, no dia de sua morte, Larissa estava saindo de Realengo, onde morava, com o namorado para visitar a futura casa, onde moraria com a família, em Campo Grande. Já com o quarto pronto construído pelo pai, a tia-avó diz que ele, desde ontem, está à base de remédios:

— Os pais estão muito abalados, nem conseguiram vir hoje. Precisaram de remédios para aguentar. A casa deles já estava toda pronta em Campo Grande. O quarto estava feito exatamente do jeito que ela queria e ela não viu. Dói muito — contou Zelandia Oliveira.

Nas redes sociais, familiares e amigos próximos da vítima se dizem desacreditados. A Ordem dos Advogados do Brasil de Bangu também desejou solidariedade à família. Na publicação, uma das amigas próximas de Larissa comentou:

“Minha amiga. Impossível acreditar”, escreveu.

Outra amiga próxima também demonstrou tristeza na publicação ao saber da notícia:

“A conheci quando ela estagiou comigo no TJ (Tribunal de Justiça). Sempre amável e prestativa consigo. Que tristeza!”, lamentou.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos