Foi demitido? Não espere o seguro desemprego acabar para procurar uma nova vaga!

(Pixabay)

Comparado a 2016, em 2017 o brasileiro precisou de dois meses a mais para se recolocar no mercado profissional, passando para 14 meses, segundo uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Esse tempo é maior que a duração do Seguro Desemprego.

“Muitos candidatos esperam os últimos meses do benefício para começar a procurar por um novo emprego”, diz Fernando Medina, Diretor de Operações da Luandre, empresa que atende 200 das 500 maiores empresas do país.

De acordo com Deise Gomes, Gerente Executiva da unidade da Thomas Case & Associados, consultoria de gestão de carreiras e RH, de Curitiba (PR) muitas pessoas acabam adotando essa postura, pois querem aproveitar os seis meses do seguro para descansar e fazer coisas que antes era difícil devido ao tempo (check up, viagens, visitar familiares e etc.). “Porém, como em nosso momento atual não existem vagas em volume no mercado e os processos seletivos estão mais morosos, é preciso cuidar para não perder muito tempo, pois no computo final isso pode acarretar em grandes prejuízos”, fala.

Um dos argumentos comuns é o profissional não querer perder o benefício, caso consiga um emprego logo em seguida. Pelo mesmo motivo, muitos recusam também os empregos temporários, não levando em consideração que esta é uma ótima chance para se tornar efetivado na empresa. “A estimativa que temos é que mais de 40% das vagas temporárias se tornam efetivas, pois é um trabalho onde ele vai desempenhar as mesmas funções, com o mesmo salário e benefícios, podendo ainda permanecer na empresa caso haja oportunidade.”, explica Medina.

Por isso, o ideal é a iniciar a busca por um novo emprego logo após a demissão. “É preciso já começar a montar uma estratégia para buscar sua recolocação e incluir em um planejamento os quesitos tempo e pilar financeiro. Além disso, ter um plano B caso a recolocação demore mais que o previsto”, fala Gomes.

Abaixo, veja cinco dicas que os especialistas dão para uma recolocação mais rápida no mercado de trabalho:

1. Não fique esperando

A Gerente Executiva da Thomas Case & Associados de Curitiba deixa claro que, como não estamos em era de pleno emprego, o mercado está com processos seletivos mais morosos, competitivos e praticando remunerações menores. “Caso você deixe passar muito tempo para começar o processo de recolocação, isso pode afetar de forma significativa os pilares financeiro e saúde (ansiedade, baixa autoestima….)”, fala. Medina completa que muitas pessoas sentem uma certa “segurança” por ter o seguro e saber que terão uma renda, mas é preciso sempre ter em mente que o prazo acaba e que é provável que elas ainda não tenham conseguido se recolocar.

2. Mantenha seu currículo atualizado

Gomes explica que o CV funciona como o “cartão de visitas” do profissional e é ele que, na maioria dos casos, abrirá portas para uma conversa. “Por isso é importante que ele esteja atualizado, com as informações em ordem lógica e objetiva, com conteúdo alinhado ao que a pessoa está buscando. Deixe claro os conteúdos de formação e cursos extracurriculares, suas passagens pelas empresas citando cargo, responsabilidades e resultados (se couber). Além disso, monte um resumo de qualificações, mostrando o que possui de experiência e habilidades mais importantes adquiridas ao longo da carreira”, destaca.

3. Ative seu networking

Muitas pessoas ficam com vergonha de ativar os ex-colegas, parentes e amigos para contar que estão desempregados, no entanto, essa é a melhor forma para se recolocar no mercado de trabalho. “Ative seus contatos, marque cafés, envie seu CV, não há vergonha nenhuma em fazer isto. Infelizmente o desemprego é uma realidade que atinge muitas pessoas. Às vezes este seu contato conhece alguém que tem uma vaga no seu perfil e você pode conseguir um novo emprego graças a esta rede de contatos”, explica Medina.

4. Saiba como vender seus talentos

Entenda quais são seus diferenciais do ponto de vista de formação, experiência profissional e perfil comportamental. “Treine para falar de sua trajetória de forma clara e objetiva, citando exemplos de trabalhos/ projetos relevantes dos quais participou ou conduziu. Quando for para uma entrevista, cuide da linguagem falada, mas da corporal também. Seja verdadeiro”, fala Medina.

5. Invista na sua qualificação

Se tiver uma verba de rescisão, é inteligente usar uma parte desse dinheiro para investir na sua qualificação, já que o conteúdo aprendido reforçará sua competitividade e mostrará que utilizou o tempo de forma eficaz. “Caso o profissional tenha um pilar financeiro bem estruturado e possa investir em cursos mais caros e longos ok, mas muitas vezes os cursos de curta duração que abordem temas atuais de cunho geral ou específicos da área do profissional podem ser mais interessantes”, explica Gomes.