Foi mal: Operação Carne Fraca leu encomenda de mel como código de quadrilhas

 

22/03/2017- Brasília- DF, Brasil- Ministro Blairo Magi durante depoimento sobre a operação Carne fraca na CAE do senado. Foto Lula Marques/AGPT

 

A recente operação da Polícia Federal batizada de “carne fraca” apontou suspeitas de irregularidade em alguns frigoríficos do país, citando diversas empresas e divulgando amplamente uma relação delas.

Mas… verificou-se um grande equívoco na lista divulgada: a inserção da empresa Breyer e Cia Ltda. que não é frigorífico e que jamais operou com produtos cárneos ao longo dos seus 38 anos.

Uma encomenda de mel foi interpretada como senha de bandidos… vou te explicar…

A divulgação errônea ocorreu porque ao grampear o telefone de um fiscal envolvido na operação “carne fraca”, a Polícia observou um diálogo em que ele pediu para a secretária da empresa Breyer 2 frascos de mel de 800 g, pois o dele “tinha acabado.” Com base nesse diálogo superficial, a Polícia precipitadamente inseriu a empresa na lista, desconhecendo que o fiscal fez essa solicitação porque era um mero consumidor de mel da empresa Breyer, pagando pelo que consumia.

“Fato é que de maneira nenhuma a empresa está vinculada com a operação.  A empresa Breyer tem como atividades o beneficiamento de mel, própolis, e produtos derivados da apicultura, ou seja, nenhuma relação com produtos à base de carne. Ela é fiscalizada periodicamente pelo Ministério da Agricultura, órgão que vêm atestando e ratificando a qualidade dos produtos, tanto que no dia 22 de março de 2017, ou seja, poucos depois da divulgação equivocada, o Ministério da Agricultura fez uma rigorosa inspeção na empresa Breyer, concluindo que não há irregularidades nos processos de qualidade emitindo parecer favorável à liberação da suspensão decorrente da ação da Polícia Federal”, disse a este blog o advogado Marcelo Rodrigues de Toni.

Com objetivo de minimizar os danos da divulgação equivocada, nesta quarta-feira 29/03/2017, houve uma reunião de emergência no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) com o Sr. Luis Eduardo Pacifici Rangel (Secretário de Defesa Agropecuária do MAPA) com os Presidentes da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENTREPOSTOS E EXPORTADORES DE MEL, CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE APICULTURA, CÂMARA SETORIAL DO MEL.

Nesta reunião, o Sr. Luis Rangel relatou  esforços de todo o Ministério para desfazer a repercussão negativa nacional e internacional da divulgação da operação “carne fraca”. Apresentou perspectivas otimistas, pois tudo isso está gerando uma reaproximação com lideranças internacionais do setor, a fim de atestar a qualidade da carne brasileira.

Especificamente para a empresa Breyer e para o setor apícola, o Secretário Rangel prometeu celeridade para esclarecer que a empresa não tem relação com a operação da Polícia Federal, e que o setor apícola não pode ser prejudicado pela divulgação precipitada, porquanto além de ter qualidade comprovada, gera emprego e renda a milhares de famílias em todo o Brasil.

Em síntese: a empresa Breyer é uma empresa idônea, possui 38 anos de atividades, com reconhecimento nacional e internacional da qualidade de seus produtos e está trabalhando para minimizar os abalos que a notícia equivocada vem gerando, principalmente no mercado internacional.

Tudo por um grampo mal-feito. Grampos degravados, isto é, ouvidos e digitados por policiais, não têm emoticons…

Aliás, sobre isso, leia o que escrevi na Rolling Stone, há anos:

http://rollingstone.uol.com.br/edicao/20/os-ouvidos-de-deus#imagem0