“Foi um ato de desespero e coragem”, diz Monica Seixas sobre manifestações pró-democracia

No último domingo, manifestantes pró-democracia organizaram ato na Avenida Paulista (Foto: Miguel Schincariol/Getty Images)

Três deputados estaduais membros da Bancada Ativista, mandato coletivo eleito em 2016 pelo PSOL em São Paulo , estiveram nas manifestações pró-democracia no último domingo, 31, na Avenida Paulista. Monica Seixas, membro do grupo, não esteve, porque tem um filho pequeno e optou por fazer a cobertura do evento. De fora, ela vê o protesto como “dramático”.

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“São um grupo de desespero de quem quer um dia ter esperança de sair da quarentena em um espaço democrático de direito”, definiu. Mônica afirma que toda a Bancada Ativista sempre defendeu a quarentena e o isolamento social, por tem medo do coronavírus, mas vê a mobilização de domingo como um ato de desespero e coragem.

Para ela, o domingo foi um dia de mudança de conjuntura. “As pessoas achavam que o Brasil estava dominado pela extrema direita, porque apenas a extrema direita ocupava as ruas. E ver aquele volume de pessoas de colocando em risco, mas que também demonstra que estão dispostas a lutar pela democracia, pelo estado democrático de direito, mostra uma mudança de conjuntura”, opina.

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Mônica apontou ainda falta de proporção na ação da Polícia Militar no ato. A deputada estadual observa que os policiais estavam sempre de frente para a manifestação pró-democracia, convocada por torcidas organizadas, e de costas para o ato pró-presidente Jair Bolsonaro.

Membros da Bancada Ativista relataram que nos momentos em que manifestantes pró-democracia se aproximavam do grupo bolsonarista, eram rapidamente contidos. Mas o oposto não acontecia. “Por que foi garantido tanta liberdade e proximidade ao grupo bolsonarista?”, questionou a deputada.

Mônica mostra preocupação com o alinhamento da Polícia Militar ao presidente Jair Bolsonaro, não só em São Paulo, mas em todo o Brasil. “A gente vem notando um caráter militante mesmo de apoio ao presidente Bolsonaro, que se explicitou ontem”, disse a deputada estadual.

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Ela nota que há um desgaste entre o governador paulista e corporação. O fato começou com a promessa de João Doria de que valorizaria os PMs, o que a corporação avalia que não aconteceu. Por causa dos ocorridos no domingo, Mônica pediu para conversar com o secretário-executivo da Polícia Militar do Estado de São Paulo, coronel Alvaro Camilo, para entender qual o clima dentro da PM.

Entre as pautas da Bancada Ativista está a igualdade racial. Sobre o tema, Mônica compara a força do movimento negro atual com o que chamou de “primavera feminista” de 2014. “Os negros e negras está se fortalecendo e organizando. A humanidade está sempre caminhando para mais liberdade e sempre que estamos caminhando pra isso, tem uma onda conservadora querendo manter o status quo. E essa onda de grupos minoritários se fortalecendo traz o conservadorismo”, avalia.”

Para Mônica, com a força do movimento negro atual, a sociedade há de ver reflexos na política. “Não tem volta.”

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