Foi um estupro do TSE, diz Bolsonaro sobre cassação de deputado por fake news

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 19.10.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recebe a visita do presidente da Colômbia, Iván Duque, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 19.10.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recebe a visita do presidente da Colômbia, Iván Duque, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

PONTA GROSSA, PR, E SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro classificou como "um estupro" a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de cassar o mandato do deputado estadual Fernando Francischini (PSL-PR) por divulgar notícias falsas contra o sistema eletrônico de votação do país nas eleições de 2018.

As declarações foram dadas sexta-feira (5) no Paraná, estado natal do deputado, onde o presidente participou de uma solenidade de entrega da ampliação de sistemas de abastecimento de água em Ponta Grossa (116 km de Curitiba).

"Há três anos não converso com o deputado Francischini. A cassação dele foi um estupro. Por ter feito uma live 12 minutos antes, não influenciou em nada. Ele era deputado federal. Foi uma violência (...) Aquela cassação foi uma violência contra a democracia", afirmou Bolsonaro.

O presidente comparou a cassação do deputado ao AI-5, um dos instrumentos institucionais mais duros da ditadura militar (1964-1965) que cerceou liberdades, fechou o Congresso e criou a censura prévia.

"A cassação do mandato [de Francischini] realmente é uma passagem triste da nossa história. Nem na época do AI5 se fazia isso e o pessoal critica tanto nosso AI-5", disse.

Francischini foi cassado na semana passada pelo TSE devido à publicação de vídeo no dia das eleições de 2018 em que ele afirma que as urnas eletrônicas haviam sido fraudadas para impedir a votação no então candidato a presidente Jair Bolsonaro. A corte também determinou que o deputado ficará inelegível por oito anos, contados a partir de 2018.

Mesmo com as críticas ao Tribunal Superior Eleitoral, o presidente recuou das suas críticas ao sistema eletrônico de votação e disse que ele será seguro em 2022 por ter militares na comissão que acompanhará as eleições.

"Tenho tranquilidade porque o voto eletrônico, fiquem tranquilos, vai ser confiável no ano que vem. Por quê? Porque tem uma portaria do presidente do TSE, [Luís Roberto] Barroso, convidando entidades para participar das eleições, dentre elas as nossas, as suas Forças Armadas", afirmou.

A crise institucional deste ano, patrocinada por Bolsonaro, teve início quando o presidente disse que as eleições do ano que vem somente seriam realizadas com a implementação do sistema do voto impresso —apesar de essa proposta já ter sido derrubada pela Câmara.

No discurso desta tarde no Paraná, Bolsonaro ainda citou a reunião do G20 na Itália, disse que os brasileiros são "muito bem recebidos" lá fora e voltou a falar sobre o episódio do pisão de pé na chanceler alemã Angela Merkel.

"Fiquei feliz porque ela sabia quem eu era. Conversamos e tinha certeza que se tivesse uma banda lá eu dançaria com ela".

Ao ler citar o líder do governo, Ricardo Barros (PP), voltou a falar sobre o seu destino partidário, citando om conversas com PP, PL e Republicanos: "Por enquanto estou sem partido, tô solteiro".

A visita de Bolsonaro ao Paraná acontece em meio a um cenário nacional complexo, no qual o presidente enfrenta o pedido de indiciamento no âmbito da CPI da Covid, enfrenta uma popularidade em baixa e a vê economia pressionada pela inflação.

Para tentar sair das cordas, o trabalha para viabilizar o Auxílio Brasil, benefício social com valor mensal de R$ 400. Para isso, o presidente depende da aprovação da PEC dos Precatórios, que abre espaço fiscal de mais de R$ 91 bilhões para o governo em 2022.

A medida foi aprovada em primeiro turno na madrugada de quinta-feira (4) por uma diferença de apenas quatro votos e corre riscos de ser barrada no segundo turno. ​

A viagem de Bolsonaro ao Paraná foi cercada por uma forte organização de aliados e convocação de sua base de apoiadores.

O ato no Centro de Eventos da Cidade reuniu cerca de 1.800 pessoas, incluindo apoiadores e representantes de setores do agronegócio, uma das princiais atividades econômicas do Paraná. Bolsonaro também participou da inauguração de uma maltaria de cooperativas paranaenses.

A principal ausência foi a do governador Ratinho Júnior (PSD), que é aliado do presidente, mas tem buscado consolidar um palanque mais amplo pra sua reeleição. O governo do Paraná informou que o governador está em Cascavel cumprindo outra agenda e não pode acompanhar o presidente.

Essa é a segunda visita de Bolsonaro ao Paraná em pouco mais de um mês. Em outubro, ele esteve em Maringá, noroeste do estado, para inauguração da ampliação do aeroporto da cidade. Na época, o governador Ratinho Júnior foi vaiado ao lado de Bolsonaro.

Bolsonaro também participa nesta sexta-feira de uma solenidade na cidade de Castro, também no Paraná. Ele passará a noite na cidade e seguirá no sábado para Piraí do Sul, onde participa de uma motociata. Cerca de 90 motoclubes confirmaram participação.

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