‘Foi um filme de terror', diz idosa que ficou ferida em acidente em escada rolante o metrô

Esta sexta-feira era para ser um dia de lazer, com um passeio ao lado de amigas, mas se transformou num "filme de terror" para Maria Simone Gonçalves, de 70 anos. Por volta das 8h30, ela estava acompanhada de cinco pessoas, incluindo a sua irmã, Maria de Fatima Barreto, de 72, quando desembarcaram na estação Estácio do metrô. A parada foi para a troca de linha, feita no local nos fins de semana e feriados. O grupo tinha como destino um passeio pelo Centro do Rio. O acidente em uma das escadas rolantes de acesso à plataforma mudou todos os planos.

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Ela conta que, ao desembarcar da composição na estação Estácio, o grupo subiu a escada rolante que dá acesso à plataforma para embarque na linha 1, baldeação necessária nos feriados para quem precisa ir ao Centro e à Zona Sul. Nesse momento, além do fluxo intenso de pessoas, segundo ela, mesmo com passageiros na escada, o equipamento parou e voltou a funcionar, mas no sentido contrário.

— Foi um susto. A gente estava naquele bolo, fomos subindo a escada. Foi quando todo mundo caiu, a escada parou, e eu pensei: “agora vai todo mundo se levantar”. Mas imediatamente ela voltou a funcionar e a minha impressão foi que era na direção contrária — relata Maria, que ainda manca devido ao acidente, que se soma a um dos joelhos ralados e um tornozelo inchado.

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— Tinha uma mulher do meu lado caída que achou que o cabelo dela ia enroscar na escada. Eu fiquei apavorada quando vi marcas de sangue na camisa da Fatinha (irmã), mas não era dela. Fiquei até um pouco tonta — conta.

A idosa estava entre os feridos que foram socorridos por equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros. Ela foi uma das nove levadas de ambulância para o Hospital municipal Souza Aguiar, no Centro. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do Rio, em nota atualizada na tarde desta sexta-feira, ao todo 20 vítimas do acidente na estação deram entrada na rede municipal de saúde. Outras quatro foram levadas para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, e sete no Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon.

Já o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) da capital informa que o número de vítimas foi de 25, atendidas por quatro ambulâncias e duas motolâncias.

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O grupo aproveitava o feriado para fazer um passeio até o Museu da República. Segundo ela, são da Igreja Batista que a irmã frequenta, em Vicente de Carvalho.

— A guia de turismo que estava com a gente é filha de uma pessoa da igreja. Minha irmã ganhou esse passeio de presente — diz Maria Simone após ter alta no hospital. A irmã Maria de Fátima completa 73 anos na próxima terça-feira.

Inicialmente, logo após o acidente, o MetrôRio, concessionária que administra o modal, divulgou uma nota em que dizia que "houve uma falha em equipamento de mobilidade". No fim da manhã, a concessionária afirmou, também por meio de comunicado, que o equipamento foi "minuciosamente inspecionado e que não houve falhas no seu funcionamento". O texto prossegue e diz que "até o momento, a informação é de que passageiros tentaram usar a escada rolante de subida para descer". Quem estava na estação contou que as pessoas tentaram descer porque ao chegar no fim da escada rolante, devido ao intenso fluxo e aglomeração, não era possível acessar a plataforma, o que deu início à confusão.

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A advogada Fabiane Gonçalves, que é filha de Maria Simone, estava na estação Estácio no momento do acidente. Ela também conta que a escada estava no sentido de subida, parou e então começou a descer.

— Sou advogada e pretendo entrar com uma ação contra o metrô. O que aconteceu foi que a escada rolante parou e começou a rodar na direção contrária.

Por meio de nota, após questionamento sobre a alteração, o "MetrôRio esclarece que não houve mudança de sentido na escada rolante. Como medida de segurança, a escada rolante para automaticamente".

Outras pessoas destacaram a aglomeração na plataforma, como a empregada doméstica Patrícia Cajazeira dos Santos. Ela conta que sempre nos fins de semana e feriados a estação fica muito cheia por ser o ponto de transferência entre as linhas 1 e 2. Segundo Patrícia, ela estava na escada que subia, mas, devido à aglomeração ao final do equipamento, não era possível sair dos degraus. Com isso, as pessoas tentaram voltar, descendo no sentido contrário, o que ocasionou o tumulto e queda de algumas nos degraus. A passageira conta que não havia funcionário no local para controlar o fluxo de acesso ou parar o funcionamento do equipamento.

— É muita gente. Quando chega na escada rolante lá em cima não tem um segurança para tirar as pessoas que ficam ali, para dar um alerta ou ajudar. Sempre fica esse congestionamento. Há três semanas eu comentei com minha patroa que ia acabar acontecendo um acidente na Estácio justamente por isso, só que eu não imaginei que seria comigo. Foi o que aconteceu hoje. O povo subindo, congestionou lá em cima e voltaram desesperados. Começou a gritaria, o tumulto. Eu continuei parada. Estavam empurrando, eu caí, de cabeça para baixo, a escada foi descendo e eu descendo, sem conseguir me movimentar, sem conseguir levantar e as pessoas passando por cima de mim.

Sobre a falta de funcionários apontada por passageiros, a concessionária diz, por meio de nota, que "nos feriados e finais de semana, quando há um fluxo maior de clientes da linha 2 fazendo transferência na Estação Estácio, o MetrôRio realiza programação de efetivo de acordo com o fluxo de passageiros. Em casos pontuais, como o ocorrido na manhã desta sexta-feira, foi deslocada uma equipe extra para fazer o primeiro atendimento aos clientes. A concessionária também acionou o SAMU e o Corpo de Bombeiros. Durante a ocorrência, houve mudança da plataforma de desembarque dos clientes que faziam a transferência entre as linhas 1 e 2, que seguiram viagem".

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Leia a nota do MetrôRio, divulgada no fim da manhã, na íntegra sobre o acidente:

Sobre o ocorrido nesta manhã na estação Estácio, o MetrôRio esclarece que o aparelho de mobilidade foi minuciosamente inspecionado e que não houve falhas no seu funcionamento, diferentemente do que foi divulgado mais cedo. Até o momento, a informação é de que passageiros tentaram usar a escada rolante de subida para descer, o que provocou tumulto e quedas. A equipe da concessionária, assim como o Corpo de Bombeiros e o SAMU, prestaram todo o atendimento e suporte aos clientes.