'Foi uma cafajestada', diz filha de Brecheret sobre ataque contra escultura na Câmara dos Deputados

Sandra Brecheret, de 78 anos, filha do escultor Victor Brecheret (1894- 1955) recebeu com surpresa a notícia de que uma escultura do pai — da década de 1920 — havia sido arrancada de seu pedestal por manifestantes radicais, defensores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Trata-se da "Bailarina", avaliada em cerca de R$ 150 mil.

Mobiliário do Império foi despedaçado por terroristas no Senado: 'Não vamos conseguir recuperar', diz museóloga

Invasão do Capitólio: nos Estados Unidos também foram avariadas; prejuízo ultrapassou R$ 157 mi

O item ficou desaparecido ao longo de diversas horas após os ataques golpistas que ocorreram nas instalações do Palácio do Planalto, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Via-se somente seu pedestal. Reportagem do jornal Folha de S. Paulo, contudo, encontrou a peça jogada no chão. A escultura em questão foi doada por Sandra à Câmara dos Deputados ao longo do segundo governo Lula e ficava sob uma redoma de vidro.

— Vou te dizer, o que fizeram foi uma "cafajestada". Sempre há ataque às obras de Brecheret em manifestações políticas, elas chamam muita atenção — lamenta. Sandra afirma, porém, que é possível recuperar a peça, mesmo que tenha amassados e rachaduras.

Antes e depois: confira como era e como ficou o patrimônio público depredado por terroristas em Brasília

A "Bailarina" reflete o período em que o artista se debruçou sobre temáticas parisienses. O item chegou a ser classificado como uma das imagens mais importantes desse período, a década de 1920. — A peça faz parte de uma tiragem de até sete exemplares, uma doação minha. Doei há alguns anos, no tempo que o Lula era presidente pela segunda vez. O custo dela está em torno de 120 mil a 150 mil reais. É uma peça belíssima — diz Sandra Brecheret, que inicialmente demonstrou medo de que a escultura tivesse sido roubada e, por consequência, vendida no mercado ilegal.

— É difícil mapear onde estão as outras imagens semelhantes a essa, é uma peça bastante antiga. É triste. Quem fez isso são pessoas de baixíssimo nível — afirma. —Também doei uma peça de 3 metros de altura para o Senado na França que não saiu do lugar— disse.

Sobre as manifestações de cunho golpista, Sandra diz ter outra opinião relacionada à insatisfação com o presidente. — Do alto dos meus 78 anos digo que não adianta fazer esse tipo de coisa. Para tirar um presidente é preciso que aconteçam votações na Câmara e no Senado. Como ocorreu com a Dilma. Fazer baderna e quebrar não é comigo, baderna não é revolução. Essa gente está se aproveitando dos conflitos políticos do Brasil.

Sandra, contudo, ao ser questionada se concorda com o ex-presidente Bolsonaro, afirmou que não apoia "nenhum dos dois lados"