'Foi uma sessão de tortura, cheia de gás lacrimogêneo’, diz sobrinho de homem morto em abordagem da PRF em Sergipe

O homem que morreu durante uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Umbaúba, nesta quarta-feira, no litoral de Sergipe, teria sofrido uma “sessão de tortura” feita pelos agentes, segundo o sobrinho da vítima. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que o homem, Genivaldo de Jesus Santos, sofreu asfixia mecânica e insuficiência respiratória aguda.

— Foi dada a ordem de parada, ele parou, botou a moto no tripé e atendeu todos os comandos que o policial deu. O policial disse para ele levantar a camisa, ele levantou, e falou para o policial que estava com remédios e receita no bolso, indicando que tinha problemas mentais — contou Alisson de Jesus, sobrinho de Genivaldo, ao portal FanF1, da Rádio Fan FM.

Segundo os relatos dele, antes de ser colocado na viatura, Genivaldo ainda foi agredido com empurrões e chutes na cabeça. O sobrinho da vítima afirma, ainda, que a família enfrentou dificuldades para obter informações sobre o quadro de saúde dele, tendo sido impedida de entrar no Hospital para onde ele havia sido levado após a abordagem.

— Depois de tudo isso, pegaram meu tio, colocaram dentro da viatura, pegaram uma bomba de gás e seguraram a tampa da mala com ele lá dentro. E com a viatura cheia de gás lacrimogêneo, com ele dentro da mala, eles engataram e saíram em cortejo na pista — criticou. — Quando a mulher dele chegou desesperada no hospital e empurrou a porta, já tinha um policial fazendo massagem cardíaca, [mas] ele já estava morto.

Por meio de uma nota divulgada à imprensa, a PRF informou que instaurou um procedimento para apurar a conduta dos agentes envolvidos na abordagem.

"Ele foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil. No entanto, durante o deslocamento, passou mal, foi socorrido e levado para o Hospital José Nailson Moura, onde posteriormente foi atendido e constatado o óbito", diz a nota do órgão.

A PRF informou, também, que a vítima "resistiu ativamente à abordagem" e que teriam sido "empregadas técnicas de imobilização e instrumentos de menor potencial ofensivo para sua contenção", para tentar contê-lo.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de Sergipe, outros exames foram realizados para confirmar a razão da morte. O corpo de Genivaldo foi liberado do IML já na noite de ontem.

O velório ocorrerá no povoado Mangabeira, em Santa Luzia do Itanhy, no Litoral Sul do estado.

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