Foliões e empreendedores customizam máscaras, obrigatórias no combate à Covid, que viram adereço de carnaval

Pâmela Dias*
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RIO — A falta que o carnaval faz aos cariocas está na cara. Mesmo com a queda nas vendas de adereços em lojas tradicionais da Saara, no Centro, as apaixonadas (os) pela folia não resistiram e resolveram incorporar o espírito da festa mais animada do ano a um acessório que passou a ser obrigatório para conter o coronavírus: as máscaras em tecido animalprint, de lantejoulas, ou combinando com adereços que deverão ser usados em festas dentro de casa. Isoladas (os) sim, mas desmascaradas (os) e sem fantasia, nunca. É um desfile nas redes sociais.

Os itens não seguem um estilo e ganharam a mesma liberdade e criatividade da folia de rua. Vão desde modelos mais simples, como as de escolas de samba — apenas com as cores da agremiação — , até as bem coloridas, com paetês e pedrarias. O prefeito Eduardo Paes, por exemplo, postou foto se protegendo com o acessório da Portela.

Segundo o vice-presidente da Portela, Fábio Pavão, as máscaras permitem ao folião exaltar seu amor à escola:

— Inicialmente, a Portela decidiu customizar para doá-las à comunidade.

Com versões mais ousadas, a estilista Letícia Bueno, dona da Skindô Lelê, tem feito sucesso com modelos artesanais, sempre acompanhados de um headpiece (adereço de cabeça). A empreendedora diz que todos os dias recebe encomendas para o carnaval. O preço médio da máscara é R$ 25, já o headpiece varia de R$ 98 a 300.

— As que mais saem são as com brilho, com plumas e as bem coloridas. A maioria compra para dar uma animada em festa com a família — conta, garantindo que as máscaras seguem as recomendações da OMS e têm três camadas em algodão e poliéster.

Enquanto a Saara só vendeu 40% do faturamento no carnaval passado, Cristiane Machado, de 43 anos, tem vivido graças às máscaras, inclusive de carnaval. Chefe de costura da Imperatriz, ela ficou sem trabalho.

— Quando eu fiquei sem renda, eu olhei para uns tecidos e me veio a ideia de iniciar a produção e a venda de máscaras. As mais pedidas são as de paetês.

*Estagiária sob a supervisão de Vera Araújo.