Foliões participam de bloco de Carnaval em São Paulo, mesmo sem aval da prefeitura

SÃO PAULO, SP, 16.07.2022: Mesmo com o cancelamento do Carnaval oficial da prefeitura, alguns blocos da cidade vão manter o cortejo. Na foto bloco Mural da Manada, que tem concentração no bairro da Santa Cecília, na região central da cidade de SP. (Foto: Bruno Santos Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 16.07.2022: Mesmo com o cancelamento do Carnaval oficial da prefeitura, alguns blocos da cidade vão manter o cortejo. Na foto bloco Mural da Manada, que tem concentração no bairro da Santa Cecília, na região central da cidade de SP. (Foto: Bruno Santos Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Mesmo sem o aval da prefeitura, o Carnaval de Rua ganhou vida na manhã deste sábado (16) na capital paulista. Alguns foliões resolveram festejar fora de época e fecharam ruas da região pela cidade.

O Carnaval em julho foi sugerido pela própria prefeitura, que optou por cancelar o evento no último dia 7, alegando que não havia empresas interessadas em patrocinar a festa.

Na última quinta-feira (15), os organizadores dos blocos anunciaram que haveria apresentações pela cidade, mesmo sem a participação da administração municipal.

O bloco Manada começou a concentração na rua Conselheiro Brotero, na região da Barra Funda, na zona oeste, por volta das 10h e, pouco tempo depois, centenas de pessoas já ocupavam o cruzamento das ruas Lopes Oliveira e Camerino.

Além da banda, que tocava marchinhas clássicas de Carnaval, o bloco também contava com artistas em pernas de pau para animar os foliões, em sua maioria usando fantasias, que não paravam de chegar.

Representante do bloco, Rafael Rahme, 34, disse que o desfile acontece pelo direito à cultura e ao Carnaval. "Nós fomos numa reunião com a Aline Torres [secretária municipal da Cultura] e ela garantiu que teria Carnaval, que não dependia de patrocínio", disse.

Mesmo sem a participação direta da prefeitura, uma equipe da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) acompanha o deslocamento. Cinco banheiros químicos também foram instalados no local pelo bloco, ao custo de R$ 1.500.

A situação de participar de um Carnaval clandestino preocupa Rahme. "O nosso maior medo é ter a festa interrompida", disse. A pauta política também está presente no bloco. Em um momento, foliões cantaram música em alusão a Lula, pré-candidato à presidência pelo PT. ​

Moradora do Rio de Janeiro, a nutricionista Erika Elias Ferreira, 32, foi surpreendida pela festa fora de época. Ela veio a capital para visitar uma amiga e resolveu curtir o bloco.

"É meu primeiro Carnaval em São Paulo. Achei bem tranquilo. Está bem arrumado. Está bem melhor que o Carnaval fora de época do Rio. Está mais organizado", disse

O desfile do bloco foi motivo de protesto de uma vendedora, que informou não ter sido comunicada da festa e se sentiu cercada pelos participantes.

"Como colocam banheiro químico na porta dos outros? Atrapalhou nossos clientes. Moradores idosos não conseguem sair", disse a comerciante Sandra Galati, 52.

Sandra ainda se mostrou aborrecida por pessoas pedirem para usar seu banheiro e também por jogarem garrafas de vidro no lixo.

Mesmo sem policiamento, a festa transcorria tranquilamente, com foliões se sentido seguros. "Estou com meu celular numa pochete grudada ao corpo, mas estou me sentindo seguro. Pode ser uma falsa sensação de segurança, mas estou me sentindo seguro", relatou o engenheiro Guilherme de Almeida, 32.

Na manhã de sexta (15), o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que os blocos que insistissem em desfilar no fim de semana seriam responsáveis pela segurança dos participantes.

Se os foliões curtiam uma festa animada, ambulantes reclamaram da pouca quantidade de blocos. "Se o prefeito tivesse organizado, estaria melhor. Teria mais lugar para gente ir. O prefeito não se decidiu antes", lamentou o ambulante Gilberto da Silva, 52.

O bloco Saia de Chita, que se concentra na praça Rio dos Campos, na Vila Pompeia, na zona oeste, é mais um que aderiu ao Carnaval fora de época. Seus organizadores afirmaram que a decisão de ir contra o veto da prefeitura é uma forma de manifestação, já que haviam se programado para a data.

"Essa gestão tem descaso com as manifestações culturais", disse o psicanalista Marcio Roque, 41, um dos representantes do bloco.

O grupo, que havia desfilado no mesmo ponto em abril, aproveitou o mês de festas para adaptar sua folia ao tema julino, inclusive com muitas bandeirinhas penduradas em árvores, roupas xadrez e músicas tradicionais.

Segundo estimativas dos responsáveis pelo bloco, foram gastos R$ 4.000, entre banheiros químicos, limpeza e som.

Por volta das 16h, a praça já estava cheia de foliões e ambulantes. Márcio Roque apontou que a falta de segurança era motivo de preocupação, já que a festa em abril havia registrado alguns furtos. No mesmo horário, uma equipe da Polícia Militar passou pelo local.

Os organizadores também se mostraram preocupados em manter a ordem no bairro, com pedidos no microfone para que os foliões evitassem urinar na rua.

"A gente espera acabar cedo para não atrapalhar a vizinhança", acrescentou Roque.

Entre os foliões também é possível notar muitas crianças brincando no chão de terra batida e em brinquedos instalados na praça.

Assim como no bloco Manada, o tom político também está presente. Algumas pessoas usam adesivos e camisetas mencionando Lula. Há também quem use adesivos críticos ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

Entre os foliões estava a pernambucana Ana Addobbati, 40, que mora na capital paulista e aproveitou o dia de sol para passear com as amigas e curtir seu primeiro Carnaval em São Paulo. Ela se mostrou surpresa com a quantidade de pessoas na praça, já que pensou que a adesão seria menor.

Acostumada às festas em sua terra natal, Ana aprovou a mistura das músicas de festa junina com o batuque de Carnaval.

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