Morreu Theoneste Bagosora, 'cérebro' do genocídio em Ruanda

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Foto de arquivo do ex-coronel de Ruanda, Theoneste Bagosora (esq), durante julgamento no Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR), em 18 de dezembro de 2008 (AFP/TONY KARUMBA)

O coronel Theoneste Bagosora, uma das autoridades de mais alto nível de Ruanda condenada pela Justiça internacional por seu papel no genocídio de 1994, morreu no sábado (25) as 80 anos no Mali, onde cumpria pena.

A morte, anunciada na tarde de sábado por meio de uma breve mensagem "RIP Papa" ("Descanse em paz, pai") postada no Facebook pelo filho de Bagosora, foi confirmada à AFP neste domingo (26) pelo Mecanismo para os Tribunais Criminais Internacionais (MTPI), que substituiu o Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR) desde 2015.

"Confirmo que Théoneste Bagosora morreu ontem (sábado) em um hospital do Mali no final da manhã", disse à AFP o secretário judicial do MTPI, Abubacarr Tambadou.

Ele cumpria pena em uma penitenciária localizada a cerca de 50 km de Bamako.

Fontes do Mali disseram à AFP que ele estava doente e tinha sido transferido para "uma clínica" na capital do país.

"Ele estava na clínica há algum tempo, mas era vigiado por agentes de segurança", declarou à AFP uma fonte da administração penitenciária do Mali.

Por sua vez, um encarregado da clínica onde ele estava internado também confirmou sua morte, e assinalou que a mesma foi causada por "insuficiência cardíaca".

Theoneste Bagosora, chefe de gabinete no Ministério da Defesa de Ruanda em 1994, foi condenado à prisão perpétua em 2008 pelo Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR) por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Após um recurso apresentado em 2011, sua sentença foi reduzida para 35 anos de prisão.

Durante o seu processo, a acusação o apresentou como o "cérebro" do genocídio que causou a morte de 800 mil pessoas, sobretudo da minoria tutsi.

Em 2019, os meios de comunicação franceses Mediapart e Radio France revelaram que um "documento do serviço de Inteligência francês" de setembro de 1994 afirmava que "dois extremistas do regime" hutu que governava a Ruanda naquela época foram "os principais autores intelectuais do atentado de 6 de abril de 1994" contra o avião do presidente Juvenal Habyarimana, que desencadeou o massacre contra os tutsi e hutus moderados. Um desses dois "extremistas" era Bagosora.

Em 2011, os juízes de apelação do TPIR anularam várias conclusões da câmara de primeira instância que condenou o ex-coronel. Contudo, mantiveram a conclusão central do julgamento, que afirmava que Bagosora era a autoridade militar máxima em Ruanda entre 6 e 9 de abril de 1994, nos primeiros dias do genocídio.

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