Força-tarefa federal vai investigar esquema de grupo comandado pelo ‘Faraó dos bitcoins’

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Apesar de a Polícia Civil do Rio ter indiciado o casal Glaidson Acácio dos Santos, de 38 anos, e a venezuelana Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, também de 38, sócios da GAS Consultoria Bitcoin, por crime contra a economia popular e outros três delitos, as investigações sobre o caso ficarão com a Polícia Federal. Os dois são suspeitos de prática de outros crimes ainda mais graves, que se sobrepõem à atribuição da polícia estadual. É o caso, por exemplo, de crime contra o sistema financeiro nacional. A PF apura ainda delitos como gestão temerária, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Os investigadores federais encontraram indícios de que o grupo criminoso tem ramificações nos Estados Unidos e no Reino Unido.

Para a investigação, foi criada uma força-tarefa formada pela Polícia Federal, pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Federal (MPF), pela Receita Federal e pela Procuradoria da Fazenda Nacional. A PF já atua no caso desde 28 de maio, quando foram apreendidos R$ 7 milhões, no momento em que o dinheiro era colocado num helicóptero, em Búzios, na Região dos Lagos. O destino, segundo a polícia, seria a cidade de São Paulo.

No caso do crime contra o sistema financeiro nacional, a atuação da quadrilha seria semelhante ao sistema de um banco, embora os integrantes, os chamados “consultores”, prometessem investir o dinheiro no esquema conhecido como Ponzi, quando se aplica no investimento, sem a necessidade de indicar outras pessoas para o negócio.

Os investigadores arrecadaram R$ 15,3 milhões em dinheiro vivo na casa do ex-garçom e ex-pastor Glaidson, conhecido como “Faraó dos bitcoins”, em Cabo Frio. Já a mulher dele, Mirelis, sacou 4.330 bitcoins antes da fuga para os Estados Unidos. O valor seria equivalente a cerca de R$ 1,63 bilhão. A PF a considera foragida da Justiça. Seu nome consta na difusão vermelha da Interpol para extradição.

Na última semana, a Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) da Polícia Civil do Rio entregou ao Gaeco, do MPF, o resultado do inquérito, no qual indiciou o casal e mais 14 pessoas pelos crimes contra a economia popular e relação de consumo, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

No relatório final encaminhado ao Gaeco, com 108 páginas, a Polícia Civil sustenta que a GAS Consultoria “recruta massiva quantidade de dinheiro de clientes que são levados a erro, pois acreditam que estão corretando (investindo) bitcoin, mas que, na verdade, são remunerados com pagamentos de dinheiro de novos contratos, criando uma pirâmide insustentável”. A conclusão da polícia do Rio vai na mesma linha da PF.

Ainda de acordo com a DCOC-LD, o esquema comandado por Glaidson, que movimentou mais de R$ 38 bilhões em seis anos, vai gerar uma “enxurrada de registros de estelionato em todo o Brasil”. Para os investigadores, a GAS Consultoria é usada para um esquema Ponzi. Segundo a Polícia Civil, o ex-garçom teria distribuído em 182 contas o investimento feito em criptomoedas à sua empresa, a GAS Consultoria e Tecnologia. De acordo com investigadores, o fracionamento em pequenos valores foi uma tentativa do acusado para ocultar a origem do dinheiro. Eles estão convencidos que essas contas estão sediadas em paraísos fiscais, o que dificultaria mais ainda o rastreio e a recuperação dos ativos.

A GAS Consultoria, por meio de sua assessoria, negou ter praticado crime de lavagem de dinheiro.

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