Força-tarefa do Rio toma depoimentos de candidatos acusados de receber apoio da milícia e do tráfico

Rafael Nascimento de Souza
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RIO - A força-tarefa da Polícia Civil que investiga a ação da milícia nas eleições municipais no Rio tomou os depoimentos dos primeiros candidatos para apurar as denúncias de que os grupos paramilitares vêm impedindo as campanhas dos adversários políticos em suas áreas de atuação, sobretudo na Zona Oeste e na Baixada Fluminense. O primeiro deles foi o vereador Marcello Siciliano (Progressistas), que disputa a reeleição. Ao todo, devem ser ouvidas mais de 20 pessoas, entre candidatos a prefeito e vereador e líderes comunitários de vários municípios antes das eleições.

Segundo denúncias anônimas, Siciliano teria um trato com milicianos e traficantes para ter exclusividade em áreas da Zona Oeste e no Complexo da Penha. O vereador negou as acusações em seu depoimento na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), na segunda-feira. Ele afirmou que não tem controle de toda a distribuição do seu material de campanha na cidade.

Nesta quarta-feira, será a vez de Lucas Santos Nepomuceno, filho do traficante Marcinho VP, dar explicações à Polícia Civil por suposto envolvimento com políticos beneficiados pelo tráfico no Complexo da Penha.

A força-tarefa vai ouvir mais três pessoas na quinta-feira. Dois candidatos, um a prefeito e um a vereador, e uma assessora. Todos eles são de Queimados.

A investigação aponta que Lenine Rodrigues Lemos, o Professor Lenine Lemos (PSDB), que disputa a prefeitura de Queimados, e o PM Ricardo Alexandre Vicente Pinto, o Ricardinho P Dois (PSC), suspeito de envolvimento com a milícia no município da Baixada, estão atuando em conjunto para forçar a população do bairro Jardim da Fonte a votar no professor e no policial.

Lilia Silva, assessora de Lenine, também será ouvida após denúncias de que ela estaria intimidando moradores de um condomínio da região dominada pela milícia.

A força-tarefa da Polícia Civil foi criada após uma série de denúncias recebidas pelo TRE-RJ e dos assassinatos de dois candidatos a vereador, num intervalo de menos de 15 dias em outubro, na Baixada Fluminense. Os crimes teriam relação com narcomilícias — traficantes e milicianos atuam juntos em comunidades da região.

O GLOBO tentou contato com todos os candidatos citados, mas não houve retorno até o momento.