Força curdo-árabe entra em Tabqa, cidade-chave nas mãos do EI

Por Layal ABOU RAHAL
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Membros das Forças Democráticas Sírias junto a cartaz do Estado Islâmico em Al-Karamah, perto de Raqa, em 26 de março

As forças curdo-árabes, apoiadas pelos Estados Unidos, conseguiram entrar nesta segunda-feira pela primeira vez na cidade de Tabqa, nas mãos do grupo Estado Islâmico, uma cidade-chave para seu caminho até Raqa, o maior reduto extremista na Síria.

Em 5 de novembro de 2016, as Forças Democráticas da Síria (FDS) lançaram uma grande ofensiva, batizada de "Cólera do Eufrates", para expulsar o EI da cidade de Raqa, no nordeste do país em guerra.

Esta aliança de combatentes curdos e árabes é apoiada pelos ataques aéreos de uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos e por conselheiros militares americanos.

De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), as FDS "estraram pela primeira vez em Tabqa que elas cercam de todos os lados. Assumiram o controle de vários pontos no sul e avançam para a periferia oeste".

Em um comunicado publicado on-line, as FDS anunciaram que tomaram posições do EI no sul e oeste de Tabqa, localizada 55 km a oeste de Raqa.

Os extremistas tentam repelir o ataque das FDS, e violentos combates estão ocorrendo em Tabqa, onde as posições extremistas também são alvos de intensos ataques por parte da coalizão internacional, de acordo com OSDH.

Um desses ataques matou nesta segunda-feira 11 membros de uma família, entre eles sete crianças, que fugiam de carro, no sudeste da cidade, acrescentou a ONG.

Para o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahmane, "a verdadeira batalha começa agora, porque não há nenhuma possibilidade para os extremistas de deixar a cidade."

- "Lutar até o final" -

"A duração da batalha depende da decisão dos combatentes do EI de se render ou lutar até o final", disse ele.

As FDS têm ganhado terreno em direção a Raqa, controlada pelos extremistas 2014. A ofensiva para conquistar Tabqa começou em março.

Em meados de abril, as FDS chegaram às portas de Tabqa, que era então um importante quartel-general dos líderes da organização ultrarradical e que abrigava sua maior prisão, onde foram encarcerados reféns ocidentais.

A cidade representa uma linha de defesa estratégica para a "capital" do EI e está próxima da maior represa na Síria, no Eufrates.

Um estudo realizado pelo think tank "Syrian economic task force", com sede em Dubai, aponta que a cidade possui atualmente 75.000 habitantes, além de 10.000 combatentes do EI e suas famílias vindas de países árabes, da Europa, Austrália e dos Estados Unidos. A população era de 250.000 habitantes antes da guerra.

Com o apoio aéreo da coalizão internacional e assessores internacionais no terrenos, as FDS conseguiram cortar as principais vias de acesso ao exterior. Também recuperaram o aeroporto perto da cidade.

Desde o início em março de 2011, depois que o governo de Bashar al-Assad reprimiu a sangue e fogo as manifestações pró-democracia, a guerra na Síria se tornou gradualmente mais complexa com o envolvimento de grupos extremistas, poderes regionais e potências internacionais.

O conflito provocou a pior crise humanitária desde a Segunda Guerra Mundial, com mais de 320.000 mortos em seis anos e milhões de deslocadas. O país contava com 22 milhões de habitantes antes da guerra.

- Sanções americanas -

Os Estados Unidos impuseram sanções financeiras contra 271 cientistas de um centro sírio de desenvolvimento de armas químicas como represália pelo suposto ataque químico contra a localidade rebeldes de Khan Sheikhun,na província de Idlib.

Esta é a primeira vez que o Departamento do Tesouro americano sanciona tantas pessoas ao mesmo tempo, afirmou um responsável.

Em 4 de abril, o ataque em Khan Sheikhun deixou 88 mortos, incluindo 31 crianças. Os Estados Unidos atribuíram a responsabilidade do ocorrido ao governo de Damasco, bombardeando três dias depois uma base aérea do exército sírio.

O exército russo, um dos maiores aliados de Damascos, anunciou nesta segunda que o governo sírio está disposto a instaurar um cessar-fogo em Khan Sheikhun para permitir uma investigação internacional.

Enquanto isso, sete pessoas, entre elas uma criança, morreram em bombardeios contra o mercado dessa cidade, segundo o OSDH.