Forças Armadas protestam contra situação que criaram, em nota à CPI da Covid

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Em abril de 2020, quando o então ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva acompanhou o presidente no sobrevoo de um ato de ataque à democracia em um helicóptero do Exército, houve grande alarme. Ontem, quando o atual ocupante da pasta, Walter Braga Netto, assinou com os três comandantes das Forças Armadas uma nota de ataque à CPI da Covid dizendo que “não aceitarão qualquer ataque leviano”, a repercussão foi bastante menor.

Muito ocorreu de lá para cá. Mais de meio milhão de brasileiros morreram por conta de uma gestão desastrosa da pandemia. Azevedo e Silva entregou o cargo, assim como os comandantes anteriores das Forças, num ato de resistência às pressões do Planalto. E um general da ativa subiu ao palanque político do presidente da República, quebrando a lei e o regimento do Exército, sem ter sido punido.

Mas não foi só isso que aconteceu — nas últimas semanas, brasileiros começaram a ouvir os nomes de coronéis e mais coronéis em frases nas quais palavras como propina, corrupção, bilhão, peculato, irregularidades se amontoam.

Antes da CPI, parecíamos ter um governo irracional, anticientífico, que ameaçava a democracia. Aos poucos, conforme as investigações do Senado avançam, a irracionalidade e a postura anticiência têm cada vez mais cara de algo que o eleitor conhece bem: corrupção governamental. E militares estão tão misturados nos depoimentos quanto indicados do Centrão.

Perde-se o respeito, e junto com ele, o medo. Militares não são, nem nunca foram, estranhos à corrupção brasileira. Os escândalos durante a ditadura não são poucos — mas o Congresso era amordaçado e, a imprensa, censurada. Nenhum dos dois ocorre hoje, e as informações por isso chegam à luz.

Com a eleição de um político do baixo clero cuja carreira é marcada por um histórico de discursos antidemocráticos misturados com rachadinhas, os militares escolheram participar do governo. Vão sair dele tendo perdido a imagem que conquistaram com as décadas de democracia. Sendo vistos como não tendo compreendido para que servem Forças Armadas numa democracia, como incompetentes e, principalmente, como corruptos.

No final da ditadura, uma das letras da banda de rock RPM fazia o desenho de como os brasileiros viam o Exército na época. “Fardas e força/Forjam as armações/Farsas e jogos ... Juram que não/Corrompem ninguém/Agem assim/Pro seu próprio bem.”

É como se nada houvesse mudado.

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