Forças azerbaidjanas se aproximam de cidade estratégica, diz presidente de Karabach

Mariam HARUTYUNYAN
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O Azerbaijão e a Armênia travam um um conflito por Nagorno Karabakh desde que armênios apoiados por Yerevan tomaram o controle da província montanhosa nos anos 1990, em uma guerra que deixou 30.000
O Azerbaijão e a Armênia travam um um conflito por Nagorno Karabakh desde que armênios apoiados por Yerevan tomaram o controle da província montanhosa nos anos 1990, em uma guerra que deixou 30.000

As forças azerbaidjanas estão a poucos quilômetros da cidade estratégica de Shusha, em Nagorno Karabakh, anunciou nesta quinta-feira (29) o presidente desta região separatista, onde se enfrentam tropas do Azerbaijão e separatistas armênios. 

"O inimigo está a poucos quilômetros de Shusha, no máximo a 5 km", declarou Arayik Harutyunyan em um vídeo publicado no Facebook.  

"O objetivo principal do inimigo é invadir Shusha (...) e quem tiver o controle de Shusha, controla Artsakh", acrescentou, usando o nome armênio de Nagorno Karabakh. 

Shusha fica a uns 15 km de Stepanakert, capital desta região montanhosa, e na rodovia que liga Nagorno Karabakh à Armênia.

O controle de Shusha, construída nas alturas, permite pôr diretamente na alça de mira a capital separatista. 

"Nos próximos dias, é preciso inverter a situação no front e castigar o inimigo diretamente nas portas de Shusha", declarou Harutyunyan, no vídeo gravado perto de uma catedral histórica armênia situada nesta cidade. "Vamos nos unir e lutar juntos", disse. 

Desde a retomada dos combates, em 27 de setembro, as forças azerbaidjanas reconquistaram territórios que escaparam de seu controle desde os anos 1990 e da guerra que provocou 30.000 mortos, o que desembocou na secessão de Nagorno Karabakh, hoje povoada quase que exclusivamente por armênios. 

A região, apoiada pelo governo armênio, declarou sua independência depois da guerra, em 1994, mas não foi reconhecida pela comunidade internacional, nem mesmo pela Armênia. 

- "Cruel e absurdo" -

Nesta quinta, as autoridades de Nagorno Karabakh acusaram as forças azerbaidjanas de terem bombardeado maciçamente Stepanakert, que já foi atingida por disparos várias vezes desde o fim de setembro. 

"O Azerbaijão atacou Stepanakert durante várias horas, dezenas de mísseis atingiram a cidade", informou à AFP um alto funcionário local, Artak Beglarian, que acrescentou que "civis ficaram feridos" neste ataque. 

Este anúncio ocorreu após um ataque, na véspera, contra a cidade azerbaidjana de Barda, perto de Nagorno Karabakh.  

O governo azeri acusa o exército armênio de ter matado 21 pessoas e ferido outras dezenas. Outros cinco civis morreram na véspera. 

A ONG Anistia Internacional acusou nesta quinta-feira todos os participantes no conflito de usar bombas com munição, o que é proibido. 

Segundo balanços parciais, mais de 1.250 pessoas, das quais 130 civis dos dois lados morreram em enfrentamentos. 

O Azerbaijão anunciou nesta quinta-feira ter entregue à Armênia os corpos de 30 soldados mortos em combate. 

"A Armênia não mostrou boa vontade neste aspecto", mas graças a uma mediação russa, "aceitou abrir um corredor humanitário", informou um conselheiro do presidente Aliev, Hikmet Hajiyev. 

Uma porta-voz do ministério armênio da Defesa, Chouchan Stepanian, confirmou o translado sob mediação russa e da Cruz Vermelha, acrescentando que seu país está disposto a entregar corpos de soldados azerbaidjanos.

Os chefes da diplomacia azerbaidjana e armênia deviam se reunir nesta quinta-feira em Gebebra, mas a reunião foi adiada para a sexta, segundo o ministério azeri de Relações Exteriores.

mkh-mp/eg/mb/mvv