Forças curdas avançam após tomarem aeroporto do Estado Islâmico na Síria

Por Delil SOULEIMAN, avec Rouba EL HUSSEINI à Beyrouth
(Fevereiro) Combatentes das Forças Democráticas Sírias (FDS) em Raqa

Combatentes árabes e curdos sírios tentavam avançar para a cidade-chave de Taqba, cuja conquista permitirá que fechem um pouco mais o cerco ao grupo Estado Islâmico (EI) em Raqa, sua "capital" na Síria.

No domingo, as Forças Democráticas Sírias (FDS), apoiadas por ar pela coalizão internacional dirigida pelos Estados Unidos e por terra pelos conselheiros militares americanos, conquistaram o aeroporto militar de Tabqa, uma etapa importante em sua ofensiva para expulsar o EI de Raqa, no norte do país.

As FDS, que tentam proteger o aeroporto, querem avançar em direção à cidade de Tabqa, situada 3 km mais ao norte, mas os extremistas tentam freá-los, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Ao mesmo tempo, as FDS pretendem tomar a importante represa de Tabqa, e os combates se sucedem no norte da cidade, do outro lado do rio, segundo o OSDH.

A tomada do aeroporto da cidade de Tabqa e da represa permitiria às FDS avançar rumo a Raqa a partir do sul, para continuar suas manobras de cerco total desta cidade e para proteger sua retaguarda.

- Avançar e cercar -

A represa de Tabqa, a maior da Síria, não funciona desde domingo, depois dos bombardeios no setor que "deixaram fora de serviço (a central elétrica) que dá eletricidade ao dique", segundo um responsável técnico no lugar. Isso pode representar um perigoso aumento do nível da água.

Segundo um jornalista da AFP no local, as FDS entraram nesta segunda-feira no imenso complexo da represa que, no entanto, continua sob controle do EI.

No início de 2014, o EI tomou o controle da cidade de Raqa, convertida em sua capital de fato na Síria, antes de se apoderar completamente da província do mesmo nome.

Mas a organização ultrarradical perdeu, em seguida, 65% da província, 40% dos quais desde o início em novembro de 2016 da ofensiva das FDS para expulsar o EI de Raqa.

As FDS estão atualmente 26 km ao norte, 18 km a leste e 29 km a oeste de Raqa. A única abertura para os extremistas está na parte sul da cidade e eles devem atravessar o Eufrates para sair da localidade.

Segundo Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH, a tomada do aeroporto permitirá às FDS "avançar e cercar a cidade de Tabqa" antes de conquistá-la. O aeroporto "também pode servir como ponto de partida para as próximas operações militares" em direção a Raqa.

Segundo o OSDH, os bombardeios da coalizão continuavam nesta segunda-feira em apoio à ofensiva das FDS.

Em junho de 2016, as forças do regime tentaram, em vão, reconquistar Tabqa.

Na sexta-feira, o ministro francês da Defesa, Jean-Yves Le Drian, afirmou que Raqa estava cercada e que a batalha para recuperar a cidade começaria "nos próximos dias".

Por sua vez, a coalizão internacional ressaltou "que todas as medidas estão sendo tomadas para assegurar a integridade da represa de Tabqa" nas operações de bombardeios aéreos.

'Crise terrível'

Desencadeada em março de 2011, após a repressão das manifestações que pediam reformas, a guerra na Síria já provocou mais de 320.000 mortos e se converteu em um complexo conflito que envolve atores nacionais, locais e internacionais.

No terreno, o último bairro pró-oposição de Homs (centro) foi alvo de uma nova operação de evacuação. Como parte do acordo, os insurgentes foram autorizados a partir para zonas controladas pelos rebeldes em troca da retirada do cerco pelo regime.

Cerca de 1.900 pessoas - incluindo 670 rebeldes - foram evacuadas do bairro de Waer, indicou à AFP o governador provincial Talal Barazi.

Enquanto isso, as negociações entre o regime e a oposição lançadas na semana passada em Genebra não registraram qualquer avanço.

Nesta segunda-feira, o chefe da delegação de oposição reiterou que o "presidente Bashar al-Assad e sua trupe não podem ter qualquer papel" no futuro, mesmo que próximo, da Síria.

O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, chegou na Jordânia para participar na quarta-feira da cúpula da Liga Árabe.

O chefe da organização pan-árabe pediu aos Estados-membros mais esforços para resolver o conflito sírio.

"Não é justo que este tipo de crise terrível se encontre nas mãos de potências internacionais e regionais que atuam guiadas por seus próprios interesses", disse Ahmed Aboul Gheit.