Forças pró-Haftar anunciam que tomaram controle de Sirte, diz porta-voz

Ahmed al Mesmari, porta-voz das forças leais ao marechal Khalifa Haftar, fala com a imprensa em Benghazi, em 6 de janeiro de 2020.

As forças do marechal Khalifa Haftar, homem-forte do leste da Líbia, tomaram o controle de toda a cidade de Sirte (450 km a leste de Trípoli), até agora sob controle das forças do Governo de Unidade Nacional (GNA), garantiu sua porta-voz.

"Sirte foi totalmente libertada (...) dos grupos terroristas", anunciou na televisão Ahmed al Mesmari, porta-voz das forças pró-Haftar, em alusão às forças rivais leais ao GNA - com sede em Trípoli.

Esta declaração à emissora líbia Al Hadath, próxima do marechal Haftar, foi feita após uma operação militar de algumas horas.

As forças pró-Haftar disseram anteriormente que haviam assumido o controle do aeroporto de Al Gordabiya, localizado em uma base militar em Sirte, depois que a "força armada responsável pela proteção do aeroporto se rendeu".

Segundo as forças pró-Haftar, vários combatentes pró-GNA foram feitos prisioneiros e seus equipamentos confiscados, enquanto outros fugiram.

O marechal Haftar, que tenta controlar Trípoli desde 4 de abril, anunciou na sexta-feira a "mobilização geral" contra uma intervenção militar turca na Líbia em apoio ao GNA, reconhecido pela ONU.

"Nossas forças respondem a milícias terroristas leais ao criminoso de guerra Haftar", disse a Força de Proteção de Sirte, pró-GNA, no Facebook nesta segunda-feira.

O GNA não reagiu ao anúncio, mas um comandante militar ligado ao governo de Unidade Nacional que estava em Sirte e pediu para não ser identificado confirmou a perda da cidade.

O comandante denunciou a "traição" de um grupo armado salafista, que trocou de lado com a chegada das forças de Haftar.

Segundo Mesmari, a tomada da cidade exigiu uma "preparação minuciosa que durou meses", com bombardeios aéreos regulares contra a "Força de Proteção de Sirte", composta principalmente por combatentes procedentes de Misrata (250 km a oeste).

A perda de Sirte supõe um sério revés para o GNA, reconhecido pela ONU e que controlava a cidade desde 2016, quando expulsou da região o grupo Estado Islâmico (EI), após meses de combates.