Forças rebeldes lançam nova ofensiva na região etíope de Tigré

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As forças rebeldes lançaram uma nova ofensiva na região etíope de Tigré - informou um porta-voz insurgente à AFP nesta terça-feira (13), menos de duas semanas após um primeiro ataque que levou o governo a declarar um cessar-fogo.

"Ontem lançamos uma ofensiva (na região de) Raya e conseguimos derrotar as divisões das forças federais e as forças (da região vizinha de) Amhara", disse Getachew Reda.

Segundo o porta-voz, as tropas rebeldes já controlam Alamata, principal cidade da região, e conseguiram "se estabelecer na maior parte do sul de Tigré".

A AFP não conseguiu localizar nenhum porta-voz do Exército federal para verificar as alegações de Getachew, pois as redes de comunicação estão praticamente cortadas na região.

O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, lançou uma operação militar nesta região do norte do país em 4 de novembro para desarmar e derrubar as autoridades locais dissidentes, emergentes da Frente de Libertação do Povo de Tigré (TPLF).

Depois de tomar a capital regional Mekele, no final de novembro, o governo proclamou sua vitória. Desde então, no entanto, os combates continuam.

No final de junho, uma ofensiva rebelde conseguiu recapturar Mekele e grande parte da região, forçando a retirada das tropas do governo e a declaração de um cessar-fogo unilateral por parte de Adis Abeba.

As forças rebeldes, que se autodenominam Forças de Defesa de Tigré, primeiro descreveram a cessação das hostilidades como uma "piada". Depois, disseram aceitar o princípio de um cessar-fogo e estabeleceram condições para assiná-lo.

Entre elas, a retirada de Tigré das tropas da região vizinha de Amhara e da Eritreia, que apoiam o Exército federal, bem como o início de uma investigação contra Abiy Ahmed.

- Retirada da Eritreia -

Nesta terça, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas também pediu a retirada, de forma rápida e verificável, das tropas da Eritreia instaladas em Tigré.

O órgão da ONU aprovou uma resolução apresentada pela União Europeia (UE), celebrando o cessar-fogo decretado no final de junho por parte do governo federal. Ao mesmo tempo, o texto mostra sua preocupação com os graves abusos cometidos na região, em meio a massacres de civis e violência sexual.

A resolução manifesta sua preocupação, sobretudo, com a participação nestes abusos das tropas da Eritreia, que intervieram no Tigré para apoiar o Exército federal da Etiópia em sua luta contra as antigas autoridades regionais.

Com 20 votos a favor, 14 contra e 13 abstenções no conselho, a resolução aprovada pede que "se detenham imediatamente todas as violações dos direitos humanos, os abusos e as violações do direito internacional humanitário".

O texto solicita ainda a "retirada rápida e verificável das tropas eritreias da região de Tigré".

O Exército da Eritreia é acusado de cometer atrocidades contra a população civil, incluindo execuções sumárias e estupros.

Antes da votação, o representante da Eritreia rejeitou a resolução e afirmou que suas tropas já haviam deixado a região. A Etiópia também criticou o texto, considerando-o como uma interferência na investigação que está sendo realizada por este órgão da ONU sobre a situação em Tigré.

- Mais de 400 mil pessoas com fome -

A nova ofensiva em Tigré acontece após o anúncio, no sábado, dos resultados das eleições parlamentares de 21 de junho. O Partido da Prosperidade, de Abiy Ahmed, saiu como vencedor.

Prêmio Nobel da Paz em 2019 por selar a paz com a Eritreia, o primeiro-ministro se apresentou pela primeira vez aos eleitores, após sua nomeação em 2018, e buscava amplo apoio popular neste período delicado.

A violência étnica em muitas partes da Etiópia e os massacres e a crescente fome em Tigré mancharam sua imagem como um jovem líder reformista.

De acordo com as Nações Unidas, mais de 400 mil pessoas sofrem de "fome" nesta região, e mais 1,8 milhão estão "à beira" da fome. A ajuda humanitária mal chega à população.

Em um comunicado divulgado na segunda-feira à noite, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) anunciou a chegada a Mekele de um comboio de 50 caminhões com 900 toneladas de alimentos e suprimentos de emergência.

Segundo este órgão da ONU, porém, "seria necessário o dobro desse número de caminhões todos os dias para atender às imensas necessidades humanitárias da região".

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