Forças de segurança indianas em estado de alerta máximo na Caxemira

Toque de recolher em 9 de agosto de 2019 na parte de Caxemira administrada pela Índia

As forças de segurança indianas mobilizadas na Caxemira estão em alerta máximo nesta sexta-feira, dia da reza muçulmana, em meio a tensões provocadas pela supressão da autonomia dessa região reivindicada pelo Paquistão.

"Tememos manifestações maciças e tomamos medidas em consequência disso", declarou à agência indiana PTI uma autoridade de segurança em Srinagar, capital de verão do estado de Jammu e Caxemira.

As autoridades suspeitaram que as ações poderiam ocorrer após a oração, devido à atmosfera tensa prevalecente pela decisão de Nova Délhi na segunda-feira de revogar a autonomia constitucional da parte da Caxemira controlada pela Índia, de maioria muçulmana.

Entretanto, decidiram suspender o toque de recolher para permitir que os fiéis fossem à mesquita para a oração de sexta-feira, declarou uma autoridade policial à AFP.

A população está autorizada a comparecer apenas às mesquitas "de sua vizinhança", advertiu o diretor-geral da polícia da Caxemira, Dilbag Singh.

A grande mesquita Jama Masjid de Srinagar - cenário frequente de manifestações separatistas, que pode chegar a abrigar 30.000 fiéis, permaneceu fechada, informaram moradores à AFP.

A situação "é tensa", assegurou um deles ao se aproximar do templo. "Há soldados por todos os lados".

Dezenas de milhares de reforços militares foram enviados à região para supervisionar a implementação da decisão do primeiro-ministro, Narendra Modi, criticado pelo Paquistão e por alguns líderes da oposição indiana.

No entanto, mesmo antes da chegada dos reforços, havia cerca de meio milhão de militares indianos na Caxemira para combater uma rebelião que dura 30 anos.

Em Islamabad, capital do vizinho Paquistão, cerca de 3.000 pessoas participaram na sexta-feira, em meio a uma forte presença policial, de uma "marcha para salvar a Caxemira", onde nenhum incidente foi registrado. "A Caxemira será do Paquistão", gritavam alguns manifestantes.

- Preocupação na China -

Exemplo da preocupação internacional gerada pela decisão do governo indiano, o ministro paquistanês das Relações Exteriores, Shah Mahmood Qureshi, viajou com urgência a Pequim para se reunir com seu colega chinês, Wang Yi.

"Hoje, a China mostrou mais uma vez que é um amigo confiável do Paquistão", já que "apoiará totalmente o Paquistão" em sua intenção de levar a decisão de Nova Délhi ao Conselho de Segurança da ONU, disse Qureshi, de Pequim, em um vídeo enviado pelo ministério para a AFP.

O Paquistão condenou veementemente a revogação da autonomia à Caxemira. Nesta semana, o país expulsou o embaixador indiano e suspendeu acordos comerciais com o país vizinho. No entanto, Islamabad descartou qualquer uso de força.

A China, que também controla um setor da Caxemira, protestou esta semana pela reivindicação da Índia da área que acredita pertencer a ela, localizada no Himalaia.

O ministro das Relações Exteriores indiano, Subrahmanyam Jaishankar, viajará para Pequim no domingo para se reunir com Wang.