'Fora Bolsonaro': Anitta aponta erro de estratégia no slogan contra presidente

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Se depender de Anitta, os gritos de "Fora Bolsonaro" são coisa do passado. A explicação de aposentar o slogan — dita em parte das apresentações da cantora e de outros artistas brasileiros contrários ao governo desde a campanha em 2018 — foi apresentada em um longo fio publicado pela cantora minutos após bloquear o perfil do presidente no Twitter, neste sábado.

Anitta adotou em um dos figurinos do seu show no festival Coachella, nos Estados Unidos, os tons verde, amarelo e azul, e afirmou na postagem que as cores "pertencem aos brasileiros" e "ninguém pode se apropriar do significado" delas. O perfil do presidente republicou o texto com emojis da bandeira brasileira e os dizeres "concordo com a Anitta". Em seguida, a artista respondeu o presidente e o bloqueou da rede social.

Em outra publicação, a cantora escreveu: "Meti logo um block pra esses adms (administradores) dele não ficarem usando minhas redes sociais pra ganhar buzz (repercussão) na internet". Posteriormente, em resposta a um seguidor, explicou a razão e sugeriu que todos aqueles que fazem críticas ao governo atual mudem a estratégia.

Para a carioca, o perfil de Bolsonaro mudou a postura com os artistas contrários a ele, adotando o deboche como resposta. "Eles estão com uma equipe mais jovem e descolada pra justamente passar essa imagem dele, fazer o público esquecer as merdas com piadas e memes da Internet que faça o jovem achar que ele é um cara maneirão, boa praça", disse. Segundo Anitta, ao rebater o presidente, o artista é visto como "chato mimizento", e Bolsonaro saíria como "o cara bacana que leva tudo numa boa".

O ideal nesse momento, segundo Anitta, é evitar citar o presidente. Ela lembra como nos últimos tempos as redes sociais de Bolsonaro têm usado as músicas dos artistas que o "odeiam" como fundo dos seus stories no Instagram. Na última semana, o GLOBO mostrou o uso de canções de Daniela Mercury, Preta Gil, Gloria Groove e outros nomes nomes declaramente contrários ao presidente. O uso feito sem o consentimento dos artistas gerou revolta nas redes sociais. Após ser bloqueado por Anitta no Twitter, o perfil do Instagram do presidente deu um print na ação da cantora e colocou como trilha sonora "Envolver", hit de Anitta.

"Eu trocaria o slogan 'Fora Fulaninho' para 'muda Brasil' ou algo que desvincule completamente a narrativa do nome dele", defende. "Vocês não me verão falando 'Fora fulaninho' até as eleições acabarem. E sugiro quem for contra ele fazer o mesmo", concluiu.

Ainda no sábado, o Twitter de Bolsonaro publicou um foto em que supostamente o presidente levanta a moto com Tarcísio de Freitas na garoupa, em resposta a uma publicação da cantora Zélia Duncan, revoltada com a motociata realizada na sexta-feira em São Paulo. A brincadeira do presidente rendeu mais de 50 mil curtidas.

Em março deste ano, Bolsonaro e Anitta trocaram comentários no Twitter, quando o chefe do Executivo criticou o programa 'BBB'. Questionado por Anitta se ele seria "presidente ou subcelebridade', o perfil respondeu com um vídeo de um sósia dançando nas ruas. A imagem é muito utilizada por bolsonaristas, e também foi postada pelos filhos do presidente no dia do seu aniversário.

A cantora é alvo frequente dos bolsonaristas nas redes sociais. De acordo com um levantamento do GLOBO em parceria com a consultoria Bites, só na bancada bolsonarista no Congresso, 22 deputados e senadores publicaram postagens sobre a cantora no Twitter desde dezembro. De um grupo de 3,5 mil perfis de bolsonaristas influentes analisados, quase metade (1.678) atacou a artista no período.

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