'Fora da caixa': Danilo, da seleção brasileira, é leitor voraz, fala quatro idiomas e pratica ioga em pré-jogos

Não foi por acaso que Danilo Luiz foi o primeiro jogador escolhido para dar uma entrevista coletiva já na concentração da seleção brasileira em Turin, na Itália, onde treinou antes de chegar ao Catar para a Copa do Mundo. Além de morar na Itália, o brasileiro que joga pelo Juventus, pode ser descrito como um atleta "fora da caixa".

Aos 31 anos, o único mineirinho do time de Tite, fala quatro idiomas fluentemente: inglês, espanhol italiano além do português impecável. Em vez de passar o tempo de folga vidrado na tela do celular ou disputando partidas num videogame, Danilo se dedica aos livros.

O zagueiro é um leitor voraz. Seja pela tela de um Kindle ou um exemplar de papel, quase sempre está concentrado nas palavras. Tanto que leva sempre um caderno e uma caneta para destacar trechos, fazer anotações e estudar.

"Estranhamente, nunca li nenhum livro que falasse sobre futebol. Dedico muito tempo ao esporte na prática e também a entender os processos e tudo o que influencia no jogo diretamente, então quando estou livre procuro buscar outro tipo de conhecimento”, disse ele numa entrevista.

Estudo também é uma das tarefas que ele tem com os filhos. É Danilo que ensina as lições para o mais velho e toda noite lê história para os rebentos. Um homem descontruído.

"Uma tarde legal falando sobre os órgãos do corpo humano e aproveitando pra debater as funções do nosso cérebro, qual parte acionamos quando estamos dominados pela emoção e quais partes acionamos quando estamos na nossa ‘ razão.’ Surpreendente o entendimento dessa geração. Ver ele, com 6 anos respondendo que não devemos reagir da mesma maneira quando somos ‘ atacados ‘, é motivo de muito orgulho como pai", escreveu ele na legenda de uma foto, em que ensinava sobre o corpo humano ao primogênito, fruto de seu casamento com Clarice Sales.

Outra diferença de Danilo para seus companheiros de seleção está na prática de ioga. Ele carregou seu tapetinho para o Catar:

"O ioga esteve bem presente durante a quarentena e o período sem jogos, principalmente por me ajudar a ter mais mobilidade. Me deixou muitos aprendizados e reforçou hábitos que eu já tinha, de meditação e visualizações, técnicas de respiração e relaxamento, que, essas sim, são uma rotina diária, principalmente pré-jogo”.

Diante de todo ensinamento que absorveu do hábito de leitura, Danilo passou a se preocupar ainda mais com a saúde mental. Tanto que empreendeu um projeto na área, o Voz Futura:

"Quando a gente está educando emocionalmente as crianças na escola, pensamos que eles vão se tornar adultos com isso desenvolvido, adultos que sabem refletir, que são empáticos, que saibam desenvolver essa capacidade de, na turbulência, desenvolver uma certa tranquilidade no refletir e agir”.