'Foram, mas já voltaram': clubes brasileiros apostam em repatriações de jovens talentos

Nas primeiras entrevistas como dono da SAF do Botafogo, John Textor falou sobre os perfis de jogadores que gostaria de contratar: atletas jovens ou que fizeram carreira na Europa e veem com bons olhos o retorno ao Brasil. Se possível os dois juntos, melhor. Dessa forma, não só o alvinegro — que está por detalhes de anunciar a contratação de Luis Henrique, de 20 anos, e que passou as duas últimas temporadas no Olympique-FRA —, mas vários clubes brasileiros têm feito o movimento de repatriar promessas do futebol nacional que foram para o exterior precocemente e não conseguiram explodir.

Revelado no próprio Botafogo, Luis Henrique deixou o clube aos 18 anos rumo ao futebol francês. Lá, fez poucos jogos como titular e apresentou números ofensivos tímidos. Mesmo assim, volta ao alvinegro com expectativa de assumir a titularidade em uma das pontas, caso a negociação se confirme. Para se espelhar, Luis Henrique terá o companheiro Lucas Fernandes como case de sucesso. Após quatro temporadas sem destaque no Portimonense, de Portugal, o meia revelado no São Paulo chegou ao Botafogo para o Brasileirão e é um dos principais jogadores do time de Luís Castro.

— Antigamente os clubes vinham comprar jogadores com 21, 22 anos, já consolidados no Brasil, para chegar ao ápice na Europa na faixa dos 25. Hoje as buscas acontecem com atletas de 18, 19 anos, na tentativa de antecipar etapas. Muitas das vezes, nessa idade o jogador ainda não está maduro nem como pessoa e nem como atleta. Acaba tornando todo o processo precoce, ocasionando, em alguns casos, um retorno também precoce ao Brasil — diz Júnior Chávare, executivo de futebol especialista em categorias de base.

Entre os jogadores que retornaram ao Brasil nesta janela, Everton Cebolinha, apresentado no Flamengo na última quinta-feira, é o que cria maior expectativa. Campeão da Copa América com destaque, o atacante foi vendido pelo Grêmio ao Benfica de Jorge Jesus por 20 milhões de euros e chega ao rubro-negro por 13,5 milhões de euros (cerca de R$ 70 milhões). Embora desvalorizado financeiramente e sem brilho em Portugal, o atacante foi recebido com esperança pelos flamenguistas.

— As duas últimas temporadas coletivamente não foram da maneira que imaginávamos, mas isso afeta também no individual. Evoluí bastante, estou com cabeça principalmente no Flamengo. Seleção depende do que eu fizer aqui — declarou o jogador.

Recepção de craque

Contratado pelo Corinthians depois de 14 jogos no Zenit, Yuri Alberto chegou ao Timão com status de estrela — muito pelo desempenho no Internacional, onde se destacou e teve média de um gol a cada 180 minutos. Retrato disso foi a recepção feita pela torcida corintiana para o jogador antes do treino aberto na última sexta-feira — uma festa parecida foi feita para nomes como Ronaldo, Adriano e Roberto Carlos.

— Não é passo atrás. Fiquei três meses e meio na Europa, os talentos que têm aqui, são poucos países que têm. A visibilidade dos jogos na Rússia não seria tão boa, aqui seria bem maior. Quero construir uma historia gigantesca — explicou Yuri Alberto.

Outros nomes que representam esse movimento de retorno rápido ao Brasil são Marrony, anunciado pelo Fluminense, e Pedrinho, apresentado no Atlético-MG. Revelado pelo Corinthians, Pedrinho, de 24 anos, passou as duas últimas temporadas na Europa. Primeiro, no Benfica de Jorge Jesus, a quem criticou na saída do clube. Depois, no Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. Embora os números no Velho Continente não tenham sido de muito destaque, o jogador adquiriu características de polivalência que podem ser importantes no Galo.

— No Shakhtar, eu estava jogando como falso 9. Venho para atuar onde o professor pedir — falou.

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