'Foram soltar fogos pelo Ano Novo', diz mãe de brasileiro morto em lago gelado nos EUA

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RIO - O brasileiro Andre Cassiano Rubert, de 20 anos, havia planejado passar o Ano Novo com um grupo de sete amigos na casa de verão de sua família em Wolfeboro, no estado americano de New Hampshire. A programação incluía soltar fogos de artifício no lago Winnipesaukee, próximo ao local onde estavam. Já na noite de 1º de janeiro de 2022, os jovens decidiram passear em um caiaque e uma canoa, que comportavam duas pessoas cada. Pouco antes das 23h, enquanto tentavam fazer a volta, as embarcações capotaram. Na água gelada, com temperatura aproximada de três graus Celsius, Andre perdeu os movimentos e submergiu. Não conseguiram salvá-lo.

Segundo relatos preliminares, um dos jovens que estava fora do lago escutou gritos de socorro e pegou um outro barco para ajudá-los. O quarteto tentava nadar até a costa de uma ilha em meio à neblina que tomava o local. Três amigos foram resgatados. André morreu afogado. Seu corpo foi encontrado a quatro metros e meio de profundidade já de madrugada. As autoridades iniciaram uma investigação, mas descartaram a hipótese de crime, de acordo com a família da vítima. A reportagem não obteve retorno da polícia americana até esta publicação.

— Eles foram para soltar fogos no lago e, na hora de volta, não conseguiram. Como estava congelando, eles não conseguiam mais se mover. Uma pessoa foi lá ajudar, mas não conseguiram pegar o meu filho. Estava muita neblina — contou Danielle Fitts, mãe de Andre, em entrevista exclusiva ao GLOBO. — A médica nos falou que, pelo jeito que estava, ele se esforçou muito para tentar se salvar. Lutou muito.

Até o momento, a família não recebeu o laudo sobre a causa da morte, mas os indicativos apontam que Andre teve uma hipotermia e, por isso, se afogou. Segundo sua mãe, o brasileiro nadava com frequência e praticava esportes radicais, além de pescaria.

— Eu me pergunto toda hora por que foram inventar de ir nesse lago. Ele nadava muito bem, conhece muito bem o lago. É onde a gente passa o verão. São amigos que frequentam minha casa. Foi realmente uma fatalidade — afirmou Danielle.

Andre morava na cidade de Farmingham, em Massachusetts, desde que se mudou para os Estados Unidos há sete anos. Ele vivia com a mãe, o padrasto e um de seus três irmãos. Enquanto o jovem viajou para New Hampshire, Danielle passou o Ano Novo no município de Manning. Retornou para casa ainda no primeiro dia de 2022. Horas após se deitar para dormir, na madrugada de 2 de janeiro, três policiais bateram a sua porta. Ela só ouviu os agentes falarem "passed away" (faleceu, em tradução livre). Não aguentou saber o que havia acontecido.

O sargento Joshua Dirth, da Patrulha Marinha, explicou à imprensa americana que, em razão da baixa temperatura da água, uma pessoa teria aproximadamente 10 minutos, a partir do "choque inicial", até começar a perder suas funções motoras.

— Você tem cerca de 10 minutos de sobrevivência significativa. É aí que uma pessoa vai começar a perder algumas de suas funções motoras, aquelas que incluem a capacidade de nadar. A última hora após esses minutos é realmente quando a hipotermia vai começar a ocorrer — disse Dirth.

Sem coletes

Segundo o padrasto de Andre, o americano Tim Fitts, as autoridades ainda não ouviram todos os jovens, alguns deles ainda traumatizados. Entre o grupo, estava seu sobrinho. Tim preferiu não saber alguns detalhes do acidente, mas afirmou que os garotos "não estavam preparados para estarem lá".

— Eles não tinham coletes salva-vidas. Quando acabaram na água, foram impactados rapidamente. Eles estavam nadando para uma ilha, que não era tão longe pelo que me falaram. A água ficou muito gelada, seus músculos começaram a endurecer e não podiam mais nadar. Foi o que aconteceu com André, ele era um bom nadador — disse ao GLOBO.

Tim, no entanto, preferiu não escutar a versão dos amigos de Andre ou de seu sobrinho sobre o que motivou a queda.

— Eu sabia o fim da história, que é nosso garoto está morto. Não queria saber que tinha um responsável, não queria guardar nenhuma negatividade no meu coração por alguém. Eles são grandes garotos. Só não consigo entender como os barcos viraram. Pelo que me falaram, não faz sentido como eles capotaram. Meu instinto me diz que um deles ou talvez dois estavam fazendo bagunça, brincando ou foram descuidados. Ouvi que havia algo sobre fogos de artifício, que eles estavam acendendo sobre a água.

A família realizou um velório no último domingo a casa funerária Norton, em Framingham. Após a cerimônia, o corpo de Andre foi cremado. As cinzas, no entanto, ainda não foram entregues.

Andre nasceu em Curitiba, mas viveu mais de uma década com a mãe em Cuiabá. Ele se formou na Keefe Technical High School, em Framingham, onde morava. Era aprendiz da DC Electric, em Hopkinton, e sonhava se tornar um eletricista profissional. O brasileiro estrava prestes a tirar sua licença para trabalhar como autônomo.

Após a notícia de sua morte, a família recebeu centenas de mensagens de apoio nas redes sociais. O artista Bruno de Luca foi um dos que comentou em uma publicação feita por Danielle no Instagram. Segundo os parentes, Andre era reservado, mas se preocupava sempre com os outros.

— Assim que nos conhecemos, machuquei meu braço, e o Andre, que não falava inglês, me disse na primeira vez por meio de um aplicativo de tradução: "O que eu posso fazer para ajudá-lo?". Esse era o tipo de pessoa que ele era — disse Tim. — A maneira como ele morreu é trágica, mas a história de André Rubert é muito mais que isso.

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