Força Tarefa acha que Moro foi brando com Cabral e Adriana Ancelmo e vai recorrer

10/05/2017- Rio de Janeiro- RJ, Brasil- Esposa do ex-governador Sergio Cabral, Adriana Ancelmo, deixa a 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro após depoimento à Justiça Federal
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 

A Força Tarefa da Lava Jato quer mais anos de xilindró para Sérgio Cabral e quer que sua mulher seja condenada na ação pela qual Sérgio Moro a absolveu hoje.

Eis o que este blog acaba de recebe da Força Tarefa:

“A publicação, nesta terça-feira, dia 13 de junho, de sentença condenatória na Ação Penal nº 5063271-36.2016.404.7000 demonstra o funcionamento célere e efetivo do Poder Judiciário e a a condução imparcial e responsável dos processos criminais da operação Lava Jato pela Justiça Federal.


Em relação à absolvição de Adriana de Lourdes Ancelmo e Mônica Araújo Macedo Carvalho, a força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná (MPF/PR) irá apresentar recurso ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por entender que as provas produzidas demonstram que Adriana e Mônica participaram dos crimes cometidos de forma consciente.

Adriana Ancelmo é mulher de Sérgio Cabral. Já Mônica Araújo Macedo Carvalho se explica assim:

O ex-secretário de governo Wilson Carlos, apontado por delatores da Operação Lava Jato como ‘operador administrativo’ de Sérgio Cabral (PMDB), gastou R$ 1.646.526,95 no cartão de crédito entre 2007 e 2015, segundo relatório do Ministério Público Federal com dados da Receita Federal. Se somados R$ 459.266,20 das despesas da mulher de Wilson Carlos, o valor vai a R$ 2.105.793,15.

“O casal Wilson Carlos e Mônica Araújo gastou ao todo R$ 2.105.793,15, dando uma média de R$ 19.498,08 por mês. Chama a atenção o valor dos gastos com cartão de crédito pelo casal Wilson Carlos Cordeiro da Silva Carvalho e Mônica Araújo Macedo Carvalho, uma vez que sempre se aproximam da renda total declarada no Imposto de Renda de Pessoa Física, chegando muitas vezes a extrapolá-la”, afirmou a Procuradoria da República.


O Ministério Público Federal também irá pedir ao Tribunal o aumento significativo das penas aplicadas aos condenados no processo.

Isto é: acham que Moro foi brando com Cabral.

Para entender:

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB-RJ) foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a 14 anos e 2 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

O peemedebista foi acusado de receber pelo menos R$ 2,7 milhões em propina da Andrade Gutierrez, entre 2007 e 2011, referente as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), da Petrobrás. Foi determinado regime fechado para o início de cumprimento da pena.

“Entre os crimes de corrupção e de lavagem, há concurso material, motivo pelo qual as penas somadas chegam a catorze anos e dois meses de reclusão, que reputo definitivas para Sergio de Oliveira Cabral Santos Filho”, decretou Moro.

O magistrado também acrescentou multa ao ex-governador. “Considerando a dimensão dos crimes e especialmente a capacidade econômica de Sérgio Cabral ilustrada pelo patrimônio declarado de quase R$ 3 milhões e, que considerando o examinado nesta sentença, certamente é maior, fixo o dia multa em cinco salários mínimos vigentes ao tempo do último fato delitivo (05/2014)”, disse Sérgio Moro sobre a multa destinada a Cabral.

Por falta de prova, a ex-primeira-dama Adriana de Lourdes Ancelmo foi absolvida dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Também foram condenados o ex-secretário do governo do peemedebista Wilson Carlos Cordeiro da Silva Carvalho ( 10 anos e 8 meses) de prisão e o sócio do ex-governador, Carlos Miranda (10 anos).