Forças Armadas foram o setor com segundo maior aumento salarial entre servidores

Bolsonaro ainda permitiu que militares da reserva que estão em cargos elevados no governo recebam acima do teto (Getty Image)
Bolsonaro ainda permitiu que militares da reserva que estão em cargos elevados no governo recebam acima do teto (Getty Image)
  • Altas patentes das Forças Armadas foram privilegiadas com aumentos

  • Bolsonaro ainda mudou regras para ganhos na Reforma da Previdência

  • Medida permitiu que funcionários do governo ultrapassassem o limite de ganhos

Os militares das Forças Armadas estiveram entre os servidores públicos que mais se beneficiaram com aumento salarial nos últimos 10 anos. Ao longo de uma década a renda dos militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica aumentou 29,6%, descontada a inflação do período.

O número é cinco vezes maior do que a média das carreiras federais e vale o dobro do que todas as categorias do funcionalismo brasileiro registraram. Dados coletados pelo economista Daniel Duque para o Centro de Liderança Pública (CLP) utilizaram informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Conforme as informações apuradas, profissionais da área de segurança, bombeiros e policiais estaduais tiveram aumento de 25%, ficando em terceiro lugar na lista.

A primeira posição é ocupada pelos professores do ensino fundamental, que tiveram uma elevação de 33,3%, mas que recebem salários baixos e foram beneficiados pela criação do piso da categoria.

Ao longo de três anos de mandato, Jair Bolsonaro adotou medidas que favorecem militares. Ainda no primeiro ano e governo o presidente conseguiu que o Congresso aprovasse uma reforma da Previdência das Forças Armadas em separado, que incluiu uma reestruturação da carreira militar. Isso garantiu um aumento dos valores recebidos, em especial para as patentes mais altas.

Além disso, Bolsonaro ainda permitiu que militares da reserva que estão em cargos elevados no governo, como os generais ministros, possam receber acima do limite do teto remuneratório do serviço público, fixado em R$ 39,3 mil.

No entanto, as patentes mais baixas continuam insatisfeitas. Policiais da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), junto com agentes penitenciários, esperavam um ajuste mais alto este ano do que os 5% para o todo o funcionalismo, que deve ser anunciado oficialmente esta semana pelo governo. Líderes das carreiras dizem que o presidente teria traído o eleitorado por não cumprir essa promessa.

"O elefante na sala hoje é a questão de supersalários. Temos servidores públicos ganhando acima do teto. Isso é imoral e um absurdo", diz Barros. O pesquisador ainda chama atenção para o orçamento secreto. Ele afirma que isso vem drenando recursos para áreas que não são prioritárias para o país.

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