Forças Armadas prometem reação “mais dura” se CPI voltar a debater corrupção entre militares

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Da esquerda para direita, os comandantes do Exército, Paulo Sérgio Nogueira, da Marinha, Almir Garnier Santos, e da FAB, Carlos de Almeida Baptista Junior - Foto: Alexandre Manfrim/Ministério da Defesa
Da esquerda para direita, os comandantes do Exército, Paulo Sérgio Nogueira, da Marinha, Almir Garnier Santos, e da FAB, Carlos de Almeida Baptista Junior - Foto: Alexandre Manfrim/Ministério da Defesa
  • Forças Armadas mostraram insatisfação com as declarações de Omar Aziz

  • O senador e presidente da CPI da Covid criticou o envolvimento de membros das Forças Armadas em supostos casos de corrupção na saúde

  • Comandantes do Exército, Marinha e Força Aérea divulgaram nota de repúdio pelas declarações

As declarações do senador Omar Aziz (PSD-AM) na sessão da última quarta-feira (7) da CPI da Covid seguem repercutindo. Depois da divulgação de uma nota de repúdio, membros das Forças Armadas prometeram uma reação “mais dura” em caso de nova citação de corrupção entre militares.

Na quarta, Aziz, presidente da CPI, criticou o envolvimento de membros das Forças Armadas em supostos casos de irregularidade no Ministério da Saúde. A fala aconteceu durante depoimento do ex-diretor do Departamento de Logística da pasta, Roberto Ferreira Dias.

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“Os bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados com algumas pessoas que hoje estão na mídia, porque fazia muito tempo, fazia muitos anos que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do Governo”, afirmou.

Membros das Forças Armadas ouvidos pela coluna de Bela Megale no jornal O Globo, porém, rebateram as acusações. Além de prometerem respostas mais críticas a possíveis futuras manifestações desse tipo, garantiram que “não aceitarão ser desrespeitados”.

Omar Aziz considerou que está sendo alvo de uma tentativa de intimidação (Evaristo Sá/AFP via Getty Images)
Omar Aziz considerou que está sendo alvo de uma tentativa de intimidação (Evaristo Sá/AFP via Getty Images)

Comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica assinaram nota publicada na quarta pelo Ministério da Defesa, em repúdio às declarações de Aziz, em texto compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “As Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro”, diz.

“O Ministro de Estado da Defesa e os Comandantes da Marinha e do Brasil, do Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira repudiam veemente as declarações do Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, Senador Omar Aziz, no dia 07 de junho de 2021, desrespeitando as Forças Armadas e generalizando esquemas de corrupção”, aponta a nota.

De acordo com informações obtidas por Megale, a expectativa das Forças Armadas é de que as manifestações públicas de resposta a Aziz façam com que os integrantes da CPI pensem duas vezes antes de mencionar a instituição e fazer novas denúncias de corrupção no Ministério da Saúde.

Aziz vê tentativa de intimidação

Em um primeiro momento, porém, o presidente da Comissão também rebateu e considerou que a nota era uma tentativa de intimidá-lo. Aziz esclareceu, ainda, que sua declaração era destinada a alguns integrantes das Forças Armadas atuantes no governo, e não a toda instituição.

"Minha fala hoje foi pontual, não foi generalizada. E vou afirmar aqui o que eu disse lá na CPI, novamente: podem fazer 50 notas contra mim; só não me intimidem, porque, quando estão me intimidando, e vossa excelência não falou isto –, estão intimidando esta Casa aqui. Vossa excelência não se referiu à intimidação que foi feita pela nota das Forças Armadas”, apontou.

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