Ford 'ganhou bastante dinheiro' no Brasil e poderia ter 'retardado' saída, diz Mourão

Manoel Ventura e Gustavo Maia
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BRASÍLIA — O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta segunda-feira estar surpreso com a decisão da Ford de encerrar a fabricação de automóveis no Brasil. Ele disse que a empresa "ganhou bastante dinheiro" no país e que ela poderia ter retardado a saída do Brasil.

— Não é uma notícia boa. Eu acho que a Ford ganhou bastante dinheiro aqui no Brasil e me surpreende essa decisão que foi tomada aí pela empresa. Empresa que está no Brasil há quase 100 anos, desde 1921. Eu acho que ela poderia ter retardado isso daí mais é aguardado. Até porque o nosso mercado consumidor é muito maior do que outros aí — disse Mourão.

A produção será interrompida imediatamente em Camaçari (BA), Taubaté (SP) e a da Troller, em Horizonte (CE).

A marca vai continuar vendendo carros no Brasil, mas apenas modelos importados. O Ministério da Economia, em nota, lamentou a notícia e disse que a decisão reforça a necessidade “de avançar nas reformas estruturais”.

“O Ministério da Economia lamenta a decisão global e estratégica da Ford de encerrar a produção no Brasil. A decisão da montadora destoa da forte recuperação observada na maioria dos setores da indústria no país, muitos já registrando resultados superiores ao período pré-crise”, diz a nota.

Entre os motivos para a decisão, o presidente da Ford na América do Sul, Lyle Watters, citou um "ambiente econômico desfavorável" agravado pela pandemia. A montadora vai manter sua sede para a América do Sul no Brasil, mas passará a atender seus clientes na região com um portfólio de automóveis provenientes da Argentina, do Uruguai e de outros mercados.

Ao comentar a decisão, o Ministério da Economia disse que trabalha para reduzir o “custo Brasil”.

“O ministério trabalha intensamente na redução do Custo Brasil com iniciativas que já promoveram avanços importantes. Isto reforça a necessidade de rápida implementação das medidas de melhoria do ambiente de negócios e de avançar nas reformas estruturais”, finaliza o texto.

O secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do ministério, Carlos da Costa, afirmou que a pandemia de Covid-19 impediu que ações do governo “surtissem efeito a tempo”.

“Lamento o encerramento das atividades fabris da Ford. Quando assumimos, a indústria vinha em frangalhos, apesar de bilhões gastos por governos anteriores. Temos reduzido o custo Brasil que herdamos, 22% do PIB. Mas a pandemia impediu que nossas ações surtissem efeito a tempo”, disse o secretáiro numa rede social.