Ford, General Motors e Fiat Chrysler decidem paralisar produção nos EUA, México e Canadá

O Globo, com agências internacionais

CHICAGO - Mais de 100 fábricas de automóveis e motores na América do Norte interromperão a produção depois que General Motors, Ford e Fiat Chrysler, as "3 Grandes de Detroit", decidiram parar temporariamente suas atividades, e a Honda e a Toyota anunciaram o fechamento de suas unidades, numa uma paralisação sem precedentes em todo o continente para atenuar o impacto da pandemia do novo coronavírus no setor.

A General Motors (GM) e a Ford irão interromper suas operações nos EUA, México e Canadá até 30 de março, anunciaram as empresas em comunicado conjunto com o sindicato de trabalhadores United Auto Workers (UAW). A Fiat Chrysler, terceiro membro do grupo "Big 3", também havia decidido suspender a produção, segundo um porta-voz do UAW.

O acordo entre os "Detroit Três" para interromper toda a fabricação até o final do mês ocorre horas após o fechamento de fábricas adicionais na Europa, levando a indústria automobilística do continente a uma paralisação quase total.

O acordo histórico encerra um impasse de cinco dias com o sindicato, que tem pressionado as três montadoras a fechar instalações para proteger os trabalhadores dos crescentes surtos da doença.

"A decisão de hoje é o prudente. Ao fechar e trabalhar segundo os próximos passos, protegemos os membros do UAW, suas famílias e a comunidade", disse o presidente do sindicato, Rory Gamble, em comunicado emitido em conjunto com a Ford.

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A Ford confirmou que fechará fábricas nos EUA, México e Canadá após os turnos da noite de quinta-feira até 30 de março para higienizar as instalações. A empresa planeja trabalhar com o sindicato para aumentar o distanciamento social entre os funcionários, principalmente durante as mudanças de turno, quando os trabalhadores costumam se reunir nas saídas.

"A ação de hoje é a coisa mais prudente a se fazer", reforçou Kumar Galhotra, presidente da Ford na América do Norte, acrescentando que o setor está passando por "tempos sem precedentes".

Paralisação também na Europa

Horas antes do acordo, divulgado na quarta-feira, a Honda anunciou o fechamento de suas 12 unidades na América do Norte, bem como suas instalações de Swindon, no Reino Unido, alegando uma queda na demanda, informou o jornal britânico Financial Times.

Ainda de acordo com a reportagem do FT, a Toyota também planeja fechar suas fábricas na América do Norte por dois dias na próxima semana, embora pretenda reiniciar a produção na próxima quarta-feira. A fornecedora de pneus Goodyear acompanhou as montadoras, dizendo que fecharia fábricas na América do Norte e do Sul até pelo menos 3 de abril.

O avanço do coronavírus obrigou o fechamento de quase todas as fábricas europeias, à medida que consumidores na Itália e de outros países não conseguem comprar veículos novos, e as montadoras enfrentam sérios problemas em suas linhas de suprimento e força de trabalho.

Na terça-feira, a Volkswagen anunciou o fechamento de fábricas europeias por até três semanas. Também esta semana, BMW e Toyota fecharam fábricas em toda a Europa. A Jaguar Land Rover, a única grande montadora com vários locais ainda abertos em toda a Europa, deve seguir o exemplo ainda nesta quinta-feira.

Decisão acertada

Em entrevista ao Financal Times, Marry Barra, diretora executiva e presidente da GM, disse que os últimos acontecimentos "deixam claro que isso é a coisa certa a se fazer agora". Após o término de março, a GM anunciou que revisaria sua produção "semana a semana", acrescentou Barra.

Já o diretor-executivo da Fiat Chrysler, Mike Manley, acrescentou, após conversas com o sindicato e ter visitado as fábricas da montadora, que é preciso garantir que os funcionários se sintam seguros no trabalho e "que estamos dando todos os passos possíveis para protegê-los":

- Continuaremos a fazer o que é certo para o nosso povo durante este período de incerteza.

- Os membros do UAW, suas famílias e nossas comunidades se beneficiarão do anúncio de hoje com a certeza de que estamos fazendo todo o possível para proteger nossa saúde e segurança durante esta pandemia - acrescentou o presidente do sindicato, Rory Gamble, ressaltando que as paralisações "nos dão tempo para revisar as melhores práticas e evitar a propagação da Covid-19".

No domingo passado, o sindicato propôs pela primeira vez uma paralisação de quinze dias em uma força-tarefa recém-formada entre as três montadoras e as autoridades sindicais para combater o surto.

Várias fábricas, incluindo a fábrica da Fiat Chrysler em Sterling Heights, no Michigan, foram fechadas após casos confirmados do vírus entre os funcionários. A paralisação dos funcionários devido a preocupações com vírus também forçou paradas temporárias em várias fábricas.