Ford, Microsoft e Adidas engrossam lista de boicote ao Facebook

A Ford decidiu suspender por 30 dias seus anúncios em plataformas sociais

RIO – As medidas anunciadas pelo diretor executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, não foram capazes de encerrar a sangria nas receitas publicitárias da rede social. Nesta segunda-feira, gigantes como Ford, Microsoft e Adidas se uniram à crescente lista de companhias que decidiram suspender seus anúncios na plataforma.

Em comunicado, a segunda maior montadora dos EUA informou a suspensão pelos próximos 30 dias de todos os anúncios no Facebook e no Instagram, mas também no YouTube e no Twitter. A empresa continuará usando plataformas locais na China e “avalia a participação na Europa e na América do Sul”.

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“A existência de conteúdo que inclui discurso de ódio, violência e injustiça racial em plataformas sociais precisa ser erradicada”, afirmou a montadora, em comunicado. “Nós estamos ativamente engajados com iniciativas da indústria lideradas pela Associação Nacional de Anunciantes para gerar mais responsabilidade, transparência e métricas confiáveis para limpar os ecossistemas digital e de mídias sociais”.

Apenas neste ano a Ford já gastou US$ 2,9 milhões em anúncios em plataformas do Facebook, segundo a consultoria Pathmatics. O pico aconteceu em fevereiro, quando foram investidos US$ 1,2 milhão.

Segundo a montadora, sua estratégia de mídia “não é dependente de apenas um canal”, por isso, os investimentos poderão ser redirecionados para outros canais de comunicação.

A Adidas também decidiu suspender os seus anúncios e os da subsidiária Reebok, globalmente, no Facebook e no Instagram, por todo o mês de julho.

“Conteúdos online racistas, discriminatórios e de ódio não têm lugar na nossa marca nem na socidade”, afirmou uma porta-voz, informando que nos próximos 30 dias a companhia irá “desenvolver um critério para manter a nós e todos os nossos parceiros responsáveis por criar e manter ambientes seguros”.

Já a Microsoft decidiu suspender os anúncios nos EUA em maio, e, agora, expandiu a pausa globalmente, informou uma fonte à agência Bloomberg. Mas diferente de outras companhias, que criticam as políticas do Facebook, a preocupação da empresa fundada por Bill Gates está apenas na colocação de seus anúncios ao lado de determinados conteúdos.

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Segundo a Pathmatics, a Microsoft gastou US$ 116 milhões em anúncios no Facebook no ano passado, sendo a terceira maior anunciante da rede social. A empresa já se reuniu com executivos da rede social em busca de uma solução para o problema e deve retornar com a publicidade em agosto.

O boicote é uma resposta ao movimento #StopHateForProfit, lançada por grupos de direitos civis após a morte de George Floyd. A campanha faz duras críticas ao Facebook, por não adotar políticas claras e eficazes para combater o racismo e o discurso de ódio em suas plataformas.

A lista de empresas que se juntaram à campanha reúne nomes de peso, como Unilever, Coca-Cola, Pepsi, Starbucks e Diagio. Na sexta-feira, Zuckerberg realizou uma transmissão ao vivo para anunciar algumas mudanças nas regras da plataforma, incluindo a possibilidade de remoção de publicações controversas feitas por políticos, como o presidente americano, Donald Trump.

Em entrevista à Bloomberg nesta segunda-feira, Nick Clegg, vice-presidente para relações globais da empresa, defendeu as políticas adotadas pela rede social, afirmando que o Facebook desenvolveu os mais sofisticados sistemas de aprendizado de máquina e inteligência artificial para identificar discurso de ódio e desinformação.

Segundo o executivo, a empresa também não deseja lucrar com o ódio, acrescentando que os bilhões de usuários também são contrários a conteúdos desse tipo. Contudo, a solução para o problema não é fácil:

— Todo mundo é contra o ódio, a questão é o que você faz sobre isso.