Formação de militares sauditas nos EUA é questionada após ataque na Flórida

Por Sébastien DUVAL
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Foto fornecida em 7 de dezembro de 2019 pelo FBI de um edifício da base aeronaval de Pensacola, noroeste da Flórida

O programa de treinamento de militares da Arábia Saudita em território americano era questionado neste domingo (8) nos Estados Unidos, dois dias depois do ataque de um aluno deste país que matou três pessoas em uma base aeronaval na Flórida.

Em um momento de forte divisão política e enquanto os democratas impulsionam um processo de destituição contra o presidente Donald Trump, congressistas dos dois lados coincidiram em que os intercâmbios militares entre Washington e Riad devem ser examinados de perto.

Centenas de militares sauditas treinam a cada ano nas Forças Armadas americanas, o que demonstra os fortes laços entre os dois países aliados.

Este programa "deve ser suspenso" até que tenham sido completamente esclarecidos os eventos na Flórida, avaliou na manhã deste domingo na Fox News o senador republicano Lindsey Graham, próximo ao presidente Trump.

Mohammed Alshamrani, de 21 anos, membro do Exército do Ar saudita, abriu fogo na sexta-feira com uma arma curta em uma sala de aula da base de Pensacola, antes de ser morto pela Polícia.

Os investigadores continuam tentando chegar às motivações do atacante, que teria publicado no Twitter mensagens hostis aos Estados Unidos antes de partir para a ação, e também verificam se agiu sozinho ou com algum cúmplice.

- Apelos à moderação -

"A Arábia Saudita é um aliado, mas tem algo fundamentalmente errado aqui. Precisamos dilatar este programa e reavaliá-lo", insistiu Graham.

Outro congressista republicano, Matt Gaetz, representante da Flórida, onde ocorreu o ataque, também fez um apelo neste domingo em declarações à emissora ABC a pausar o programa.

"Não deveríamos receber novos estudantes sauditas até que tenhamos plena confiança em nosso processo de controle", explicou, insistindo na necessidade de "monitorar suas atividades para se assegurar que não haja radicalização".

O secretário americano de Defesa, Mark Esper, disse à Fox News, também neste domingo, ter exigido "uma revisão dos procedimentos de seleção dos cidadãos estrangeiros (em formação) nos Estados Unidos", enquanto defendeu a utilidade deste tipo de programa.

- "Obter respostas" -

A oposição democrata denunciou a política do governo Trump em relação à Arábia Saudita, acusando-o de pôr seus interesses econômicos e militares acima dos direitos humanos.

"Esta é uma relação que tem sérios problemas", disse Cory Booker, congressista em candidato à Presidência.

A democrata pela Califórnia Zoe Lofgren lembrou, por sua vez, o assassinato em 2018 do jornalista crítico ao regime saudita Jamal Khashoggi no consulado daquele país em Istambul.

"Mataram e desmembraram esse jornalista", que trabalhava no Washington Post "e nunca os ouvimos prestar contas por isso", disse.

E Adam Schiff, presidente democrata do Comitê de Inteligência da Câmara de Representantes, pediu neste domingo à Arábia Saudita que realize "uma investigação completa" sobre o tiroteio na Flórida.

"Desejaria que o presidente dos Estados Unidos, ao invés de tentar falar em nome do governo saudita, estivesse pressionando o governo saudita para obter respostas", acrescentou em declarações ao programa "Face the Nation", da CBS.