Formiga planeja futuro como gestora: 'Não quero que as que estão chegando agora passem pelas dificuldades por que passei'

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A trajetória de respeito e superação que fez Miraildes Maciel Mota se tornar a lendária Formiga da seleção brasileira ganha um ponto final nesta quinta-feira. Aos 43 anos, vinte e seis depois de sua primeira partida pela equipe nacional, a jogadora usará pela última vez a amarelinha num amistoso contra a Índia, às 22h, na Arena da Amazônia. Ao GLOBO, ela contou como pretende continuar contribuindo para o desenvolvimento da modalidade quando se aposentar definitivamente dos gramados. Ela ainda tem mais um ano de contrato com o São Paulo, mas já faz planos para quando parar de jogar.

— Minha missão na Terra é ajudar essa modalidade e poder fortalecer esse dom que Deus deu para mim e para tantas outras meninas. Eu não quero que essas meninas que estão chegando agora passem pelas dificuldades por que eu passei e outras pioneiras também — diz a meia, que soma sete participações em Copas do Mundo e em Olimpíadas, e 233 jogos com a camisa da seleção, além de recordes por sua longevidade no esporte.

Para isso, após o encerramento de seu vínculo com o clube paulista, ela quer fazer os cursos de treinador e de gestão da CBF.

— Pretendo ajudar seja na beira do campo ou nos bastidores. Quero contribuir com o avanço da modalidade no país. Não sei se isso vai acontecer no São Paulo ou em outro clube, mas o importante é estar no futebol feminino — afirma.

Embaora deseje aprender um pouco de cada coisa, Formiga tem suas preferências e acredita que se daria melhor trabalhando nos bastidores.

— Vendo o que alguns clubes têm e não têm, acredito que a minha ajuda vai ser bem melhor como gestora. Vou ter mais aproximação com as pessoas e vou ter como brigar de frente por melhorias no clube ou até mesmo na seleção, caso no futuro eu possa trabalhar como a Pelle e a Duda — analisa ela, referindo-se a Aline Pellegrino e Duda Luizelli, ex-atletas que atualmente ocupam cargos de relevância dentro da CBF, cuidando exclusivamente do futebol feminino: — Nós vivemos anos e anos e conhecemos bem o mundo da modalidade. Sabemos do que ele precisa, o quanto ainda tem que melhorar e o quanto precisa de apoio. Então é importantíssimo ter ex-jogadoras capacitadas para ajudar. A gente pode abrir a cabeça de muitos que não conhecem o futebol feminino e não sabem os caminhos.

Formiga já foi campeã da Copa América e três vezes medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos, além de terconquistado um vice-campeonato mundial em 2007 com a seleção.

A veterana está entre as 24 jogadoras convocadas pela técnica Pia Sundhage para disputar o Torneio Internacional de Manaus, competição amistosa que é o último compromisso da seleção no ano. Além da Índia, o Brasil enfrenta a Venezuela, no domingo, e o Chile, em 1º de dezembro.

Todos os jogos serão abertos ao público. Os ingressos já estão à venda e será necessário apresentar o passaporte da vacinação para ter acesso à Arena da Amazônia.

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