Forró volta aos palcos da Feira de São Cristóvão e público terá de usar máscaras

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Não são apenas as quadras das escolas de samba que retornam com seus calenários de eventos a partir deste fim de semana. O forró também vai estar de volta à tradicional Feira de São Cristóvão. Ainda no ritmo de seus recém completados 75 anos, o Centro de Tradições Nordestinas, nome oficial do espaço, está retomando a música ao vivo em seus palcos e restaurantes.

— Estamos alinhados com as recomendações sanitárias. Um novo tempo e esse final de semana é especial. É saudade no peito. É dia de almoçar em nossos restaurantes, e curtir um forró e música ao vivo. Não esqueça sua máscara em casa — recomenda Magna Fernandes, gestora municipal da feira.

As pistas de dança de forró também estarão liberadas, mas os responsáveis pelo local garantem que o equipamento municipal que segue a nova fase de flexibilização das atividades, vai seguir todas as recomendações sanitárias para garantir a segurança dos frequentadores. Dentro das regras do chamado “novo normal”, uso de máscaras de proteção passa a ser obrigatório.

Foram instaladas grades em frende aos palcos, formando espécie de cercadinhos, para que o público possa acompanhar as apresentações. Também foram feitas marcação e sinalização de fluxo para pedestres para evitar aglomerações. Os frequentadores vão encontrar cartazes com informes sobre as chamadas "regras de ouro" da prefeitura, que deverão seguir.

A nova fase, batizada pela prefeitura de conservadora, também libera o serviço self-service em bares e restaurantes, comércio com horário livre de funcionamento e pontos turísticos com 2/3 da capacidade, além de eventos esportivos de rua com pré-aprovação da Vigilância Sanitária do Rio.

Uma tradição de 75 anos

Também chamada de Feira dos Nordestinos ou pedaço mais nordestino do Rio, o espaço completou 75 anos no dia 20 de setembro, em plena pandemia. Sua história começou em em 1945, quando retirantes chegavam ao Campo de São Cristóvão em caminhões, para trabalhar na construção civil e comemoravam o fim da viagem e o reencontro com parentes e conterrâneos com muita música e comida.

A celebração informal deu origem à Feira, que permaneceu no entorno do Campo por 58 anos. Nos anos 1960, foi construído, com projeto do arquiteto Sérgio Bernardes, o Pavilhão de São Cristóvão, que abrigou importantes eventos, como o Salão do Automóvel e feiras industriais até o fim de 1980. Mas isso não afastou os comerciantes, e as barracas eram montadas e desmontadas todos os fins de semana.

Em 2003, o antigo pavilhão foi reformado pela Prefeitura e a Feira – já legalizada desde 1982 – começou a funcionar dentro do Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas. Os trabalhadores ganharam boxes de alvenaria e cobertura, no espaço de 34 mil metros quadrados. O local possui três palcos e cinco praças com nomes de artistas e cidades nordestinas. Uma estátua em tamanho natural de Luiz Gonzaga, “O Rei do Baião”, dá as boas-vindas ao público, na entrada do local.

Em dezembro de 2008, o Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas foi declarado pela prefeitura como Patrimônio Cultural dos Habitantes da Cidade do Rio de Janeiro. O objetivo era preservar o espaço e as características nordestinas ali representadas. Em 2010, uma lei federal tornou a Feira de São Cristóvão Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

O pavilhão abriga atualmente cerca de 700 barracas com comida típica, ingredientes e temperos da culinária regional, artesanato e objetos do folclore nordestino. O espaço fica aberto ao público na sexta-feira das 10h às 20h, no sábado das 10h às 22h e no domingo de 10h às 20h.