Com recordes de temperatura, onda de calor na Europa se move para leste

A histórica onda antecipada de calor na Europa, que castiga particularmente França e Espanha desde a última quinta-feira (16), começou a arrefecer no domingo (19) no sudoeste e no oeste do continente, deslocando as altas temperaturas para o leste, onde o termômetro pode chegar aos 38°C.

Depois de registrar temperaturas acima de 40°C e de bater vários recordes de calor no sábado no oeste da França, o clima de tempestade esperado para hoje ajudará a "diminuir gradualmente" a onda de calor, de acordo com a agência Météo France.

Enquanto as temperaturas caem na costa atlântica, a onda de calor persiste nas regiões do nordeste, onde o serviço meteorológico prevê até 38°C, ou mesmo um pouco mais na planície da Alsácia.

Hoje de manhã, a Météo France suspendeu o alerta vermelho no sudoeste do país, enquanto 50 departamentos nas regiões centro e noreste foram postas em alerta laranja, e 32 permanecem em alerta amarelo, informou o órgão em seu boletim matinal.

Ontem, o serviço meteorológico da França registrou "picos próximos aos 42°C/43°C" no sudoeste, com recordes em Biarritz (42,9°C), no País Basco; em Cap-Ferret (41,9°C), na Baía de Arcachon; ou em Biscarrosse, nas Landes (41°C, recorde igual ao de 1968).

A barreira simbólica dos 40°C também foi alcançada em várias regiões no oeste do país. Em Paris, o termômetro parou nos 37°C, e seus habitantes se voltaram para as fontes da cidade, ante a proibição de tomar banho no rio Sena. E em Bordeaux, uma cidade do sudoeste onde os termômetros atingiram os 40ºC, nos museus, mais frescos, o acesso era gratuito.

"Esta é a onda de calor mais antecipada já registrada na França" desde 1947, declarou o climatologista Matthieu Sorel, da Météo-France, ressaltando que se trata de um "marcador da mudança climática".

No sul da França, o disparo de um projétil de artilharia em um local de treinamento militar no departamento de Var - onde fica Saint-Tropez - provocou um incêndio que queimou 600 hectares, informaram as autoridades. Outros dois incêndios foram registrados no território.

- Incêndios ativos na Espanha -

No norte da Espanha, região atingida por uma onda de calor que está chegando ao fim, os bombeiros continuavam neste domingo sua luta contra vários incêndios.

O mais perigoso deles começou na quarta-feira (15), em plena onda de calor, e ainda avançava hoje na Sierra de la Culebra, um maciço montanhoso na região de Castilla y León, perto da fronteira com Portugal. Suas chamas já devoraram mais de 25.000 hectares, conforme o governo regional.

Os bombeiros afirmam que as noites cada vez mais frescas estão ajudando nas operações de controle do fogo. Moradores de cerca de 20 povoados retirados de suas casas foram autorizados a voltar na manhã deste domingo, relataram as autoridades locais.

Com a melhora da situação, várias estradas foram reabertas, incluindo a rodovia que liga Madri a Galícia, no noroeste, bloqueada no sábado, devido às chamas.

Em outras regiões do país, os serviços de emergência combatiam incêndios de menor envergadura, como na Catalunha (nordeste) e em Navarra (norte), uma das poucas áreas onde as temperaturas permaneciam muito altas neste domingo.

O governo regional de Navarra pediu à população que evite deslocamentos desnecessários, de modo que as estradas fiquem livres para os bombeiros.

"Temos horas muito difíceis pela frente. Temos rajadas de ar muito fortes, acima de 30 km por hora, e vento de sul", disse a diretora-geral de Interior do governo de Navarra, Amparo López Antelo, à imprensa.

"Temos muitos focos ativos", alertou.

Ao longo desta semana, muitas cidades espanholas registraram temperaturas acima de 40ºC, algo incomum para um mês de junho. Neste domingo, porém, os termômetros começaram a cair em grande parte do território. Na capital, Madri, a previsão é de termômetros em torno 29 ºC e, na província de Zamora, onde se localiza a Sierra de Culebra, de cerca de 25ºC.

A Espanha, que registrou o mês de maio mais quente desde o início do século, sofreu quatro episódios de temperaturas extremas nos últimos dez meses, incluindo a atual onda de calor, iniciada há quase uma semana.

- 'Desastre humano' -

Na Alemanha, a onda de calor começou na sexta-feira (17) e, no sábado, as temperaturas alcançaram um recorde de 36,4ºC em Waghäusel-Kirrlach, no sudoeste do país, divulgou o Instituto alemão de Meteorologia (DWD).

O país também sofre com os incêndios. um deles em Brandemburgo, região ao redor de Berlim, que destruiu 60 hectares.

Já o Reino Unido teve na sexta-feira seu dia mais quente do ano, com temperaturas acima de 30ºC no início da tarde, conforme meteorologistas.

No norte da Itália, várias cidades anunciaram o racionamento de água. Além disso, a região da Lombardia poderá declarar estado de emergência, já que uma seca recorde ameaça as colheitas.

"É hora de agir, cada ação conta", declarou o secretário-executivo da Convenção das Nações Unidas para Combater a Desertificação (UNCCD, na sigla em inglês), Ibrahim Thiaw, em uma conferência em Madri.

Na sexta-feira, a ONU pediu "ação imediata" contra a seca e a desertificação, para evitar "desastres humanos".

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