Fotógrafa que sobreviveu a acidente na Sapucaí em 2017 morre de Covid-19

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RIO - A fotógrafa Ana Cláudia Fernandes, de 52 anos, mais conhecida como Cacau Fernandes, escapou da morte em 2017 ao ser atingida por um carro alegórico desgovernado no setor 1 do Sambódromo, do qual sobraram sequelas, como as dores frequentes no ombro e nas pernas. Descrita por parentes e amigos como uma pessoa forte e guerreira, no entanto, na tarde de terça-feira ela perdeu a batalha para a Covid-19, travada desde o último dia 1º, quando deu entrada no Hospital do Fundão.

Cacau já tinha tomado a primeira dose da vacina Pfizer, no dia 15 de junho, e chegou a comemorar nas redes sociais. Menos de dez dias depois ela começou a sentir os primeiros sintomas. Inicialmente achou que fosse uma gripe, mas o quadro foi evoluindo, até que no começo do mês foi internada.

Após uma rápida recuperação apresentou piora e, no último sábado, foi intubada. Na UTI, o quadro se agravou e teve uma embolia pulmonar. No início da tarde de terça-feira teve uma parada cardiorrespiratória e precisou fazer hemodiálise.

O sepultamento está previsto para esta quinta-feira, mas a família ainda não definiu o local e horário. Cacau deixa dois filhos: Leonan, de 38 anos, e Ana Júlia, de 20, além de uma neta, Mariana, de 9.

Segundo a jornalista Tássia di Carvalho, amiga da fotógrafa, Cacau era portadora de comorbidades. Ela se tratava de doenças no sangue no setor de Hematologia do Hospital do Fundão há mais de dez anos. Era lá que ela tratou também o rompimento dos ligamentos do ombro durante o acidente na Sapucaí.

—Estou devastada. já chorei tanto que nem sei como estou aguentando. Era como ser fosse uma irmã para mim que não tive irmã biológica. Ela tinha muitos planos — disse Tássia, uma das amigas mais próximas da fotógrafa.

O acidente aconteceu no primeiro dia de desfiles, no Carnaval de 2017. O problema ocorreu quando o carro alegórico da Paraíso do Tuiuti entrava no setor 1 de arquibancadas. Desgovernada, a alegoria deixou cerca de 20 pessoas prensadas na grade que separa a pista da arquibancada.

Cacau, que na ocasião era fotógrafa freelancer do jornal O Dia estava entre as vítimas. A radialista Elizabeth Ferreira Joffe, de 55 anos, também conhecida como Liza Carioca, morreu cerca de dois meses depois do acidente.

Com o dinheiro que recebeu de indenização pelo acidente, a fotógrafa tinha o sonho de construir uma pousada em Parati, com um espaço que funciona também como café e galeria de arte com saraus para expor trabalhos de colegas iniciantes. Ela já tinha comprado o terreno.

Considerada pelos amigos e parentes como exemplo de superação, Cacau não se deixava levar pelas dificuldades e exerceu diferentes atividades, de apontadora de “jogo do bicho” a motorista de carro por aplicativo e faxineira.

Em 2014, foi indicada ao Prêmio Esso, o maior reconhecimento da imprensa nacional, teve imagens publicadas nos anuários “O Melhor do Fotojornalismo Brasileiro”, em 2014, 2015, 2016 e 2017. Em 2017, ficou entre os 10 finalistas do Parati em Foco. Além do jornal O Dia, onde trabalhou por cinco anos, também teve imagens estampadas na Revista Veja e Jornal O Estado de São Paulo, Meia Hora e Brasil Econômico. Além disso, participava ativamente como voluntária em vários projetos sociais.

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