Foto de Bolsonaro com cartaz de 'CPF cancelado' gera críticas nas redes sociais

Amanda Scatolini
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Líderes de partidos da oposição, representantes de movimentos sociais e usuários do Twitter criticaram Jair Bolsonaro (sem partido) após a divulgação de uma foto oficial do presidente segurando um cartaz com a frase "CPF cancelado".

O registro foi feito na última sexta-feira durante a visita de Bolsonaro a Manaus. Ele se encontrou com o apresentador e apoiador político Sikêra Júnior para uma entrevista em uma emissora amazonense e depois posaram para a foto.

A expressão é comumente utilizada no meio policial para se referir a execuções ou mortes, o que fez muitos questionarem a postura de Bolsonaro, sobretudo diante das quase 400 mil mortes por Covid-19 registradas no país.

"'CPF cancelado' é uma gíria usada por milícias e grupos de extermínio para comemorar mortes. Bolsonaro não é presidente da República. É um miliciano.", criticou Guilherme Boulos (PSOL-SP).

A deputada federal Sâmia Bonfim (PSOL-SP) também se manifestou no Twitter, condenando a atitude do chefe do Executivo. "Quando te perguntarem o que é genocídio, mostre esta foto: com o país se aproximando de 400 mil mortos, quem deveria estar trabalhando pela vacina apareceu com uma placa que diz 'CPF cancelado'", escreveu.

"CPF cancelado é gíria de milícia, não temos um presidente, temos um miliciano", postou a ativista indígena Alice Pataxó.


Em outros registros, os filhos de Bolsonaro, Eduardo e Flávio, também posaram com os mesmos cartazes, fato que também foi criticado pela deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ). "Não é só Bolsonaro que faz apologia ao extermínio com placa CPF Cancelado! Seus filhos parlamentares também fazem", postou a deputada.


A polêmica em torno do jargão chegou a irritar Bolsonaro nesta segunda-feira, quando chamou uma repórter de idiota por ter questionado a atitude controversa.

— Você não tem o que perguntar, não? Deixa de ser idiota — afirmou o presidente.

Essa não foi a primeira vez em que Bolsonaro é criticado por falta de decoro em relação às mortes por Covid-19. Em março passado, o presidente riu durante uma live ao comentar o suposto aumento de casos de suicídio, como consequência do isolamento social durante a pandemia.