Foto de criança dormindo sobre bandeira circula desde 2022, meses antes de ataques a Brasília

Uma imagem de uma criança dormindo sobre a bandeira do Brasil não foi feita nas dependências da Polícia Federal em Brasília após o ataque à Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. A foto foi compartilhada centenas de vezes nas redes sociais desde o último 12 de janeiro como se retratasse um dos detidos pela vandalização dos prédios públicos. Mas o registro já circula nas redes desde julho de 2022, meses antes dos atos.

“Criança bebê TERRORISTA presa na academia nacional de polícia em Brasília!!!! São uns FDP estes comunistas mesmo !!!”, diz uma das publicações que circulam no Facebook, no Instagram e no Twitter.

Captura de tela feita em 17 de janeiro de 2023 de uma publicação no Facebook. O rosto da criança foi borrado pela AFP para proteger sua identidade ( .)

Na imagem, uma criança com a blusa da Seleção Brasileira dorme no chão sobre uma bandeira do Brasil. Ao redor, vê-se outras pessoas em pé e sentadas. Segundo os usuários, a foto teria sido tirada nas dependências da Polícia Federal, em Brasília, onde foi realizada a triagem dos detidos por participarem dos atos de vandalismo.

Embora pessoas acompanhadas por crianças e adolescentes tenham estado entre os detidos, a foto viral não representa um desses menores.

Uma busca reversa pela fotografia levou a uma publicação feita em 25 de julho de 2022 com a mesma imagem — cerca de seis meses antes, portanto, do atentado à capital federal.

No dia 24 de julho de 2022, um dia antes da primeira publicação da imagem, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) havia lançado sua candidatura à reeleição para a Presidência no estádio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro.

Em uma das fotos do evento, veiculada em reportagem do portal Poder360, é possível ver que o chão que aparece na imagem viral possui os mesmos elementos do chão do estádio.

Comparação feita em 17 de janeiro de 2023 entre imagem contida em reportagem do site Poder360 (E) e uma publicação no Facebook ( .)

Procurada pelo AFP Checamos, a Polícia Federal encaminhou uma nota em que afirma que mais de 1.800 pessoas foram “conduzidas pela Polícia Militar do Distrito Federal para a Academia Nacional de Polícia” e que “idosos, pessoas com problemas de saúde, em situação de rua e pais/mães acompanhados de crianças tiveram prioridade” no processamento. 

Ainda segundo a PF, “684 detidos pertencentes a esses grupos [prioritários] foram identificados e responderão em liberdade”.

O AFP Checamos já verificou diversos outros conteúdos sobre os atos ocorridos no Distrito Federal em 8 de janeiro de 2023 (1, 2, 3).