Fotógrafo do Morro do Macaco ajuda vizinhos sem internet com cadastro do auxílio emergencial

Fotógrafo está ajudando as pessoas que mais precisam durante a pandemia. Foto: #cinekordel | @silvaetsilva

Pensando em ajudar as pessoas que mais precisavam do auxílio emergencial durante a pandemia de coronavírus, o fotógrafo Marcos Silva Santos, de 38 anos, resolveu fazer o que estava ao seu alcance para facilitar a vida de seus vizinhos, que vivem na região do Morro do Macaco, em Cotia, na Grande São Paulo.

Marcos sempre atuou em movimentos sociais e como voluntário. Ele já foi professor de alfabetização para adultos e fez parte de um mutirão de limpeza de uma ocupação, por exemplo. 

Porém, logo que começou a surgir as primeiras notícias sobre a pandemia de Covid-19, ele passou a pensar sobre o que poderia fazer para ajudar os que mais estariam vulneráveis durante o período de quarentena.

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“Quando começou essa discussão toda, para mim, ficou muito clara a complexidade dessa coisa. Eu pensei que ia ser muito complicado para quem está mais vulnerável, desde em relação ao acesso à tecnologia, computador, celular, como também em relação à conexão de internet, a questão da alfabetização, que não é universal no Brasil… também pensei nas pessoas que têm mais de 60, 70 anos e que é digitalmente excluída”, diz.

Pensando nisso, ele passou a se oferecer para fazer o cadastro dos conhecidos da região no auxílio emergencial que vai de R$ 600 a R$ 1.200 e que foi conquistado pela população durante a pandemia. 

Sendo assim, pessoas que não têm internet, que não sabem ao certo como fazer uso do aplicativo disponibilizado pelo governo, ou que não são alfabetizadas passaram a contar com a ajuda de Marcos para terem acesso às quantias das quais tinham direito.

“Foram aparecendo outros cadastros para serem feitos, mas meu foco era, realmente, ajudar quem não tinha cadastro nenhum e nem meios para chegar nesse cadastro para conseguir acessar o auxílio. Esse aplicativo apareceu tardiamente, mas apareceu. No dia que ele surgiu, eu baixei”, explica.

“Eu já estava mapeando as pessoas mais vulneráveis antes do isolamento acontecer. Eu já convivia com as pessoas e já sabia sobre as que mais iam precisar disso. Quando surgiu o aplicativo, eu já estava em isolamento social e não pedi pra fazer fila aqui em casa. Eu fui falando com as pessoas remotamente para ajudar”, afirma.

Sendo assim, por meio do telefone, ele conseguiu ajudar aqueles que mais precisavam. “Eles iam me passando os dados, ou me mandavam a foto do documento mesmo… eu fui buscando informações para poder explicar para essas pessoas”, diz.

No entanto, nesse processo, Marcos e seus vizinhos passaram a ter algumas dúvidas sobre o auxílio emergencial. Entre elas, algumas foram: como uma pessoa que não tem celular ou internet pode fazer o cadastramento? Como fazer para cadastrar pessoas que não têm um número de celular próprio? É possível cadastrar mais de um CPF apenas com o número de uma linha de celular? É obrigatória a linha estar no mesmo nome do portador do CPF?

Pensando em sanar esses questionamentos de Marcos e de tantos outros brasileiros durante a pandemia, a reportagem questionou o Ministério da Cidadania. Por meio da assessoria de imprensa, a resposta da pasta foi um link no qual a população pode tirar dúvidas sobre o auxílio emergencial: http://www.cidadania.gov.br/Portal/acesso-a-informacao/perguntas-frequentes/desenvolvimento-social/desenvolvimento-social.