Rússia chega às eleições presidenciais unida em torno de Putin

Bernardo Suárez Indart.

Moscou, 16 mar (EFE).- A Rússia chega às eleições presidenciais deste domingo com a economia ainda afetada pela crise e no pior momento de suas relações com Ocidente desde a Guerra Fria, mas unida em torno de seu presidente, Vladimir Putin, cuja reeleição é dada como praticamente certa.

Com um crescimento econômico claramente insuficiente (de apenas 2,2% nos últimos dois anos), considerando sua riqueza tanto em recursos naturais como humanos, o país não consegue decolar.

Desde 2014, quando a União Europeia, os Estados Unidos e outros países ocidentais impuseram sanções econômicas à Rússia pela anexação da Crimeia e sua política em relação à Ucrânia, a renda efetiva da população diminui ano após ano.

Em recente relatório sobre a situação da nação, o chefe do Kremlin admitiu que, devido à crise econômica, 20% dos russos - mais de 29 milhões de pessoas - vivem abaixo da linha da pobreza, e propôs a tarefa de reduzir esse número pela metade no próximo mandato.

Apesar do discurso reiterado de Putin sobre a necessidade de modernizar e diversificar a economia russa, a exportação de hidrocarbonetos continua sendo a principal fonte de renda, com a consequente dependência das flutuações dos preços nos mercados internacionais.

Mas este panorama econômico pouco favorável por enquanto não prejudicou a popularidade de Putin, que está no poder desde 2000 (entre 2008 e 2012 como primeiro-ministro) e sem adversários em condições de lhe fazer frente.

De fato, a oposição real, extraparlamentar, está praticamente marginalizada da vida política do país e tem capacidade restrita de se manifestar devido à imposição de duras leis que regulam a realização de comícios. A internet e as redes sociais são, essencialmente, os espaços em que os opositores divulgam sua mensagem.

Deputados governistas já apresentaram um projeto de lei para "moderar" os conteúdos das redes sociais, embora os críticos desta iniciativa tenham advertido que isso é impossível de ser feito.

As últimas pesquisas apontam que Putin terá quase 70% dos votos e uma enorme vantagem sobre os outros sete candidatos: quem o segue mais de perto é Pavel Grudinin, do Partido Comunista, com apenas 7,8%.

O segredo da popularidade do chefe do Kremlin reside, segundo a maioria dos analistas, na capitalização do sentimento de renascimento nacional depois da anexação da Crimeia e, em particular, na intervenção militar na Síria.

Para muitos russos, a participação no conflito no país árabe representou a recuperação da condição de superpotência.

Putin inclusive desafiou o Ocidente com uma nova corrida bélica ao anunciar que a Rússia conta com armamento nuclear que mais ninguém tem no mundo e que é capaz de sobrepujar o escudo antimísseis dos EUA.

As palavras do presidente russo soaram como música para os ouvidos dos nostálgicos da União Soviética, cuja desintegração, segundo Putin, foi "a maior catástrofe política do século XX".

"Antes de termos os novos sistemas de armamento, ninguém nos escutava. Escutem-nos agora!", disse Putin em um discurso no Parlamento transmitido ao vivo pela televisão.

Embora as palavras do chefe do Kremlin dificilmente mudarão o cenário internacional claramente desfavorável para a Rússia, que conta com países como Irã e Venezuela entre seus aliados, não resta dúvida que de darão a ele muitos votos. EFE