França, Alemanha e Espanha vão desenvolver caça de projeto militar mais caro da Europa

Por Sabine Siebold e Michel Rose

BERLIM/PARIS (Reuters) - França, Alemanha e Espanha chegaram a um acordo para iniciar a próxima fase de desenvolvimento de um novo jato denominado FCAS, o maior projeto militar da Europa com um custo estimado de mais de 100 bilhões de euros, informou o governo alemão na noite de sexta-feira.

O Ministério da Defesa disse em comunicado que um acordo industrial foi alcançado após intensas negociações, confirmando uma reportagem anterior da Reuters dizendo que os três países e suas respectivas indústrias haviam fechado um acordo.

O ministério disse que foi acordado no mais alto nível de governo que uma abordagem cooperativa em pé de igualdade seria adotada no projeto, que está sob a responsabilidade geral da França.

O Ministério da Defesa espanhol disse que Madri investirá 2,5 bilhões de euros no projeto, dos quais 525 milhões serão desembolsados em 2023. O ministério disse que o gabinete concordou com o gasto, mas não deu outros detalhes.

"O acordo político sobre o FCAS é um grande passo e - especialmente nestes tempos - um sinal importante da excelente cooperação franco-alemã-espanhola", disse a ministra da Defesa alemã, Christine Lambrecht.

"Fortalece as capacidades militares da Europa e garante know-how importante não apenas para a nossa, mas também para a indústria europeia."

Anteriormente, fontes haviam dito que a próxima fase de desenvolvimento do Future Combat Air System (FCAS) deveria custar cerca de 3,5 bilhões de euros, a serem divididos igualmente pelos três países.

Dassault, da França, Airbus e Indra - os dois últimos representando Alemanha e Espanha, respectivamente - estão envolvidos no esquema para começar a substituir o jato Rafale francês e os jatos Eurofighters alemães e espanhóis a partir de 2040.

"Agora, uma série de medidas formais nos respectivos países devem ser tomadas para permitir uma assinatura rápida do contrato, ao qual teremos que aderir", disse a Airbus.

O presidente francês, Emmanuel Macron, e a então chanceler alemã, Angela Merkel, anunciaram pela primeira vez os planos para o FCAS em julho de 2017. O projeto inclui um caça a jato e uma variedade de armas associadas, incluindo drones.

O projeto - originalmente concebido para unificar os europeus após a crise migratória e a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia - tem sido uma fonte de tensão entre França e Alemanha.

No mês passado, Macron cancelou uma reunião ministerial conjunta franco-alemã devido a divergências com Berlim em uma ampla gama de questões, incluindo projetos militares e de energia.

Ambos os lados tentam há mais de um ano chegar a um acordo sobre o próximo estágio de desenvolvimento do FCAS, embora os governos francês e alemão concordem amplamente com o projeto.

Algumas fontes viram a culpa na Dassault, já que a empresa se recusou a ceder em uma longa disputa sobre os direitos de propriedade intelectual.

Outras fontes culpam a Airbus por pressionar por uma maior participação no projeto liderado pela Dassault, insistindo que deveria ter "pé de igualdade" com a empresa francesa.