França caminha para novo confinamento com segunda onda de covid-19

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Entregador aguarda encomenda em praça de Angers, oeste da França, em 27 de outubro de 2020
Entregador aguarda encomenda em praça de Angers, oeste da França, em 27 de outubro de 2020

A França pode anunciar nesta quarta-feira (28) o retorno do confinamento geral, que seria menos estrito que na primavera (hemisfério norte), diante da segunda onda da pandemia de covid-19, que provocou quase 300 mortes em hospitais na terça-feira.

O presidente francês Emmanuel Macron anunciará às 20H00 (16H00 de Brasília) novas medidas, que se antecipam "impopulares", de acordo com fontes ministeriais.

O líder do partido governamental LREM, Stanislas Guérini, justificou de maneira antecipada o provável retorno do confinamento. 

"Necessitamos de medidas fortes, medidas potentes, compreensíveis para todos os franceses, nacionais provavelmente", afirmou ao canal France 2.

Na terça-feira, mais de 2.900 pacientes de covid-19 estavam internados em Centros de Terapia Intensiva (CTI), o que representa metade da capacidade atual (5.800 leitos) do país nestas unidades.

O site oficial do governo informa 288 mortes nos hospitais na terça-feira para as últimas 24 horas, e 235 em casas de repouso para idosos nos últimos quatro dias, o que eleva o balanço a 35.541 vítimas fatais na França desde o início da pandemia. 

Nos piores momentos da primeira onda, em abril, o país registrou mais de 700 óbitos em alguns dias, considerando hospitais e casas de repouso.

Para Philippe Juvin, diretor da emergência do hospital parisiense Goerges-Pompidou, um novo confinamento é inevitável. 

"Temos que tomar (esta medida), certamente", afirmou à rádio RTL.

"Estamos diante de uma curva que sobe muito rápido (de 30 a 50.000 novos casos por dia) e temos que adotar medidas agora porque podem ser tomadas muito tarde se esperarmos, por exemplo, oito dias", completou, antes de apontar o "risco de colapso do sistema de saúde".

O presidente da Federação de Hospitais da França, Frédéric Valletoux, destacou que o toque de recolher de 21H00 às 6H00 imposto para 46 milhões de franceses "não deu os resultados esperados".

O novo confinamento pode ser menos estrito que o da primavera: as escolas permaneceriam abertas, assim como os serviços públicos e comércios essenciais.

"Deve responder ao objetivo de limitar os contatos físicos, mas ao mesmo tempo a economia e também a sociedade devem seguir funcionando", declarou Philippe Juvin, que pediu ao país para encontrar um "bom nível de equilíbrio".

bur-fka/bc/zm