França e China fazem frente comum contra Trump sobre o clima

Por Jérôme RIVET, Patrick BAERT
O presidente chinês, Xi Jinping (dir.), e sua esposa, Peng Liyuan (esq.), recebem o presidente francês, Emmanuel Macron, e a primeira-dama, Brigitte, em 6 de novembro de 2019, no Grande Palácio do Povo de Pequim

Os presidentes da China, Xi Jinping, e da França, Emmanuel Macron, reafirmaram nesta quarta-feira (6) em Pequim seu "firme apoio" ao Acordo de Paris sobre o clima, exibindo sua unidade ante os Estados Unidos de Donald Trump, que acaba de oficializar sua retirada do tratado.

Após lamentarem a decisão de Washington, Xi e Macron afirmaram que o acordo assinado em 2015 para lutar contra a mudança climática abria um "processo irreversível", segundo uma declaração comum publicada ao final de uma entrevista no último dia da visita do presidente francês à China.

"Porque, quando China, União Europeia e Rússia (que ratificou há algumas semanas o acordo) se comprometem com seriedade, a opção isolada de um país ou de outro não basta para mudar a direção do mundo. Só contribui para isolá-lo", disse Macron, sem citar os Estados Unidos.

Ao contrário do isolacionismo de Trump, os mandatários chinês e francês destacaram além disso sua "firme vontade de melhorar a cooperação internacional sobre as mudanças climáticas para garantir a execução total e eficaz do Acordo de Paris".

Para isso, querem que se "respeite o multilateralismo" e se dê "um impulso político à cooperação internacional".

Ambos os presidentes formalizaram seu acordo em um "Chamado de Pequim para a conservação da biodiversidade e contra a mudança climática", publicado após uma entrevista no Palácio do Povo da capital chinesa.

No plano político, o delicado tema de Hong Kong foi "obviamente tratado várias vezes com o presidente Xi Jinping", afirmou Macron em sua coletiva de imprensa final na China.

"Falamos de todos os temas muito livremente", afirmou. "Expressei nossas preocupações, que são também as da Europa. Chamamos várias vezes ao diálogo (...), à prudência, à desescalada" em Hong Kong, completou.

Antes de sua chegada, o governo chinês havia advertido sobre o fato de Hong Kong ser um assunto interno e que não seria alvo de conversas diplomáticas com a França.

Emmanuel Macron concluiu sua visita e viajou de Pequim para Paris no fim do dia, concluindo, assim, sua segunda visita em dois anos.

- Megacontrato nuclear -

Durante sua visita, o presidente francês, que prometeu viajar para a China todos os anos, insistiu na necessidade de dar uma dimensão mais europeia à relação com Pequim.

O objetivo é ter um maior peso continental para um país como França, de 65 milhões de habitantes, diante de um gigante de 1,4 bilhão de pessoas que dispõe de recursos colossais e se tornou a segunda economia mundial.

No âmbito bilateral, Paris e Pequim se comprometeram nesta quarta-feira (6) a assinar, antes do fim de janeiro, o acordo final para a construção na China de uma fábrica de tratamento de combustíveis nucleares usados. Este é um projeto de mais de dez anos em mãos do grupo francês Orano (ex-Areva).

A visita de Macron à China permitiu a assinatura de uma série de acordos comerciais - nos setores energético, agroalimentar, aeronáutico, entre outros - em um valor total de 15,1 bilhões de dólares, segundo fontes chinesas. A informação não foi confirmada do lado francês.

- Cultura e Astérix -

A visita do presidente francês também teve sua vertente de cooperação cultural, com a inauguração em Xangai de uma filial do Centro Pompidou, pela primeira vez fora da Europa.

Na delegação francesa, estava o ator e diretor de cinema Guillaume Canet, que buscava autorização para filmar seu novo longa-metragem sobre Astérix ao pé da Grande Muralha.

"Astérix vai conhecer as Rotas da Seda (gigantesco plano chinês de expansão e cooperação internacional) e permitirá que compartilhemos nossos populares acervos imaginários", comemorou Macron.