Covid-19 bate recorde de casos no mundo e Europa enfrenta dilema do confinamento

María Isabel Sánchez com as redações da AFP no mundo
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Homem de máscara nas ruas de Pfarrkirchen, Baviera (Alemanha), em 27 de outubro de 2020
Homem de máscara nas ruas de Pfarrkirchen, Baviera (Alemanha), em 27 de outubro de 2020

Diante do avanço incansável do coronavírus na Europa, a França anunciou nesta quarta-feira (28) um retorno ao confinamento e a Alemanha uma drástica restrição de suas medidas sanitárias, enquanto o mundo registrou um recorde de mais de meio milhão de casos de covid-19 em um único dia.

A covid-19 causou quase 1,2 milhão de mortes em mais de 44 milhões de casos registrados em todo o planeta. Apenas no dia de terça-feira, foram registrados mais de 516.000 novas infecções e 7.723 mortos, segundo um balanço realizado pela AFP nesta quarta.

Na França, onde dois terços dos habitantes já estão sob toque de recolher noturno, o presidente Emmanuel Macron anunciará à noite novas medidas que se antecipam impopulares, segundo uma fonte ministerial, como um eventual novo confinamento.

As decisões serão "difíceis", admite o governo, mas o confinamento seria menos estrito que o da primeira onda, pois escolas e os serviços públicos permanecerão abertos.

O temor principal é de um colapso dos Centros de Terapia Intensiva (CTIs), que já estão com mais da metade dos 5.800 leitos ocupados, em um país que registrou o recorde de 50.000 infecções em apenas um dia. No balanço total, a França tem 35.000 mortes e um milhão de casos de covid-19.

O dilema continua presente. O confinamento é uma "medida drástica" indispensável porque o vírus "está fora de controle", afirmou o infectologista Gilles Pialoux. Mas o empresariado alerta que se a medida for aplicada de maneira total como na primavera (hemisfério norte), "afundará a economia".

Também com as costas contra a parede, a Alemanha planeja novas medidas, com o fechamento por um mês de bares, restaurantes e centros esportivos e culturais, segundo uma proposta que será discutida nesta quarta-feira pelo governo de Angela Merkel, favorável, de acordo com a imprensa, com um novo confinamento "light", com as escolas abertas. 

Com quase 11.000 mortes, a Alemanha está - como na primavera - melhor que França, Espanha ou Itália. Mas as novas infecções atingiram um recorde, com quase 15.000 em apenas um dia. "Devemos tomar decisões rápidas e firmes para romper esta segunda onda de contaminação", disse o vice-chanceler Olaf Scholz.

Outros países da Europa estão em uma trajetória parecida, como a República Checa, onde um toque de recolher noturno entrará em vigor nesta quarta-feira.

Na Espanha, a prefeitura de Madri anunciou hoje que enviará drones para os principais cemitérios da capital espanhola, para garantir o cumprimento das restrições sanitárias em 1o de noviembre, quando se celebra o dia de Todos os Santos.

- Cansados da pandemia -

Mas as novas medidas são insuportáveis para muitas pessoas. Na Itália, milhares de pessoas saíram às ruas  na segunda-feira à noite, com incidentes violentos em Milão e Turim, as duas grandes cidades do norte do país, afetadas pela crise de saúde na primeira onda da pandemia.

O governo italiano impôs um toque de recolher em várias áreas importantes, com fechamentos de bares e restaurantes às 18H00 e o fechamento total de academias, cinemas e salas de concertos. 

Na Espanha, exaustos após uma luta contra o coronavírus por mais de seis meses, vários médicos do serviço público iniciaram na terça-feira uma greve nacional, a primeira em 25 anos, para exigir mais reconhecimento.

Em um esforço para melhorar sua resposta diante da segunda onda, a União Europeia anunciou hoje que destinará 100 milhões de euros (cerca de 117 milhões de dólares) para a compra de testes rápidos de covid-19.

"Os testes rápidos estão chegando agora no mercado. Isso pode desempenhar um papel importante. De nossa parte, destinamos 100 milhões de euros para a compra de testes rápidos", que serão distribuidos pelos países do bloco, disse a presidente da Comissão Europeia, Urusla von der Leyen.

O Irã, por sua vez, anunciou nesta quarta-feira 415 mortos pela covid-19 nas últimas 24 horas, o que representa um novo recorde no país mais afetado do Oriente Médio.

- Paciência -

Ao contrário da Europa, os comerciantes de Melbourne, sul da Austrália, sentiram um grande alívio nesta quarta-feira com a reabertura de lojas e restaurantes após mais de três meses de confinamento.

Na América Latina, onde o coronavírus atinge com força, a situação também é complicada em vários países, como a Argentina, que mergulhou em uma crise de grandes proporções.

O medo de morrer de covid-19 é tão grande que no México muitas pessoas foram pressionadas a fazerem seu testamento.

Ao mesmo tempo, o planeta aguarda uma vacina e a corrida científica é intensa.

A Rússia pediu à Organização Mundial da Saúde (OMS) a "pré-qualificação" de sua vacina, com a promessa de que será  "acessível a todos em um período mais curto que as convencionais".

O laboratório Pfizer, que pretende solicitar autorização para uma vacina até o fim de novembro nos Estados Unidos, pediu na terça-feira "paciência", depois de informar que os resultados esperados para esta semana ainda não estavam prontos.  

Ao mesmo tempo, os laboratórios Sanofi e GSK anunciaram que disponibilizarão 200 milhões de doses de vacina ao programa internacional criado pela OMS para ajudar a garantir um acesso equitativo às futuras vacinas contra a covid-19.

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